Rhema ao vivoCongresso de Neuropsicomotricidade, Disgrafia e Flexibilidade Cognitiva: Como Aplicar na Escola?19 Set

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Altas Habilidades e Superdotação: os sinais que a escola pode não estar vendo

Conheça a história da pedagoga e neuropsicopedagoga Tassiana Livi e como sua trajetória pessoal com a superdotação a levou a fundar um movimento nacional em.

Muita gente ainda imagina a criança superdotada como aquela que tira nota máxima em tudo, é extremamente falante e se destaca sozinha em sala de aula.

Mas os sinais de altas habilidades em crianças costumam ser bem menos óbvios do que esse estereótipo sugere — e é justamente essa distância entre o imaginário comum e a realidade que a pedagoga e neuropsicopedagoga Tassiana Livi dedica sua carreira a desconstruir.

Especialista em Altas Habilidades/Superdotação, TDAH, Dislexia e TEA, Tassiana chegou à área da educação por um caminho pouco convencional, e foi justamente essa trajetória pessoal que moldou o olhar clínico e pedagógico que ela leva hoje para salas de aula, consultórios e para o movimento que fundou em defesa de famílias como a dela.

Convidada da Jornada Lúdica de Educação Infantil e Psicopedagogia, promovida pela Rhema Neuroeducação em 17 de setembro, Tassiana compartilhou sua trajetória, explicou como nasceu o Ideias e contou como a maternidade atípica mudou completamente os rumos da sua carreira.

Assista ao vídeo abaixo e confira a entrevista completa.

Quem é Tassiana Livi?

Tassiana Livi é pedagoga e neuropsicopedagoga clínica e institucional, especialista em Altas Habilidades/Superdotação, TDAH, Dislexia e TEA. Mãe de dois filhos com superdotação e ela própria laudada depois dos 40 anos, migrou da Arquitetura para a Educação após o filho receber um diagnóstico equivocado de TDAH.

Fundou o IDEAS - Superdotação, Autismo, TDAH, TAprendizagem, movimento nacional que representa famílias de pessoas com altas habilidades, e hoje é professora de pós-graduação na Rhema — instituição onde também foi aluna.

Rhema Neuroeducação: Como você chegou até a área das altas habilidades e da superdotação?

Tassiana Livi: O que eu faço, na verdade, vem da vivência pessoal. Meus dois filhos têm superdotação, e eu também sou laudada com superdotação. Foi essa vivência pessoal que me levou até a área da pedagogia e da educação, porque eu não vim dessa área — a minha primeira graduação foi em Arquitetura.

Como surgiu o interesse pela superdotação?

Não foi por meio de livros ou teoria que Tassiana chegou até esse universo, mas por meio de um diagnóstico que não fechava.

Rhema Neuroeducação: O que aconteceu na sua família que fez você migrar completamente de área?

Tassiana Livi: A gente não descobre a superdotação de cara. A gente chega até ela sempre através de dor, sempre através de alguma dificuldade, principalmente na área educacional. No nosso caso, meu filho recebeu um laudo com CID de TDAH, só que ele não tinha um único critério de TDAH. A gente acompanhou isso por muitos anos, gastando tempo e dinheiro com um profissional e com outro, um percurso enorme que poderia ter sido abreviado desde o começo, se a gente já soubesse que era superdotação. Mas os profissionais que atenderam ele também não tinham esse conhecimento. Foi isso que me pegou muito para entrar na área da educação.

Quais estereótipos existem sobre a pessoa superdotada?

Depois de anos como professora e palestrante, Tassiana percebe que o imaginário sobre a superdotação segue praticamente o mesmo, independentemente da audiência.

Rhema Neuroeducação: Quando as pessoas pensam em alguém superdotado, qual é a primeira imagem que vem à cabeça?

Tassiana Livi: Eu gosto de perguntar isso tanto nas palestras quanto nas aulas: quando vocês pensam na pessoa superdotada, o que vem à cabeça? Aí vem: ah, uma pessoa que tira dez em tudo, que é muito inteligente, muito esperta. Eu falo: mas me falem da parte física, como é fisicamente uma pessoa superdotada? Não tem certo e errado. Daí eles começam: ah, porque usa óculos, porque deve ser o nerd, o CDF. Isso é muito arraigado culturalmente. Quando eu pergunto se alguém pensou numa pessoa superdotada com deficiência motora, que pode ser cega, que pode ser surda, ninguém pensa. O estereótipo é sempre o Einstein.

Existe uma criança superdotada que a escola não está vendo?

Para Tassiana, o maior problema não é o estereótipo em si, mas quem ele deixa de fora.

Rhema Neuroeducação: Existe uma criança superdotada que pode estar passando despercebida dentro da sala de aula?

Tassiana Livi: A gente tem aqueles que ficam invisíveis. Ah, ele tira dez em tudo, está tudo certo, é bem quietinho — passa invisível, coitado. E as estatísticas do nosso lado não são boas: temos altos níveis de suicídio, depressão e ansiedade generalizada por conta dessa invisibilidade, de não estar sendo suplementado. Tem também aquele mais rebelde com o sistema, que não se encaixa, que bate para se defender — e esse é visto como agressivo, não como superdotado. Só é reconhecido aquele que produz algo extraordinário e ainda fecha um QI alto. E não é nada disso.

Qual é o papel do professor nesse processo?

Reconhecer esses sinais, segundo Tassiana, não depende de um diagnóstico feito pelo professor, mas de observação e informação.

Rhema Neuroeducação: Qual é a importância do professor na observação desses aspectos dentro da sala de aula?

Tassiana Livi: A informação salva vidas, e a desinformação mata. Quando eu dou a parte teórica das aulas e explico a superdotação bem mastigadinho, começa: meu Deus, a senhora está descrevendo meu filho, meu aluno. Eu gosto de trazer isso para a vivência real, entre o que é científico e o que a professora vê na frente dela. Trazer a prática junto com a teoria é muito mais rico do que só falar a teoria — porque na hora que aquela criança está na frente dela, é isso que ela vai precisar saber usar.

Como surgiu o Ideias?

A busca por respostas dentro da própria família se transformou, com o tempo, em uma rede de apoio para outras famílias.

Rhema Neuroeducação: Como nasceu o Ideias?

Tassiana Livi: Quando eu era mãe, eu não tinha força nenhuma — nem dentro da escola, nem do estado, nem do município. Depois que eu virei profissional, aí sim, eu já entrava nas escolas com um conhecimento mais técnico. Mas foi depois que eu criei o Ideias, juntando essas famílias, que a gente ganhou força política de verdade — porque a gente precisa de leis, de política pública, para ter os direitos assegurados dentro da escola. Hoje é um movimento nacional, com psicólogos, neuropsicólogos e advogados na diretoria, todo formado por mães e pessoas superdotadas.

O que essa trajetória ensina sobre inclusão?

Para encerrar, Tassiana volta à própria experiência como mãe para reforçar o ponto que atravessa toda a sua atuação profissional.

Rhema Neuroeducação: O que essa experiência com o seu filho te ensinou sobre a importância do reconhecimento na escola?

Tassiana Livi: A partir dali a gente começou a perceber que tinha uma coisa diferente. Ninguém achava um profissional que enxergasse. Falavam: não, isso não encaixa em TDAH, ele nunca foi hiperativo, nunca teve desatenção, sempre tirou dez, nunca precisou estudar. O que é essa coisa? Hoje ele tem uma boa relação com a escola, graças a Deus — trabalhamos muito a aceitação dele, porque foi muito sofrido. Então, reconhecer cedo é muito importante. E essa é uma das coisas que foi vetada nessa nova lei: o reconhecimento pela escola muito cedo. É importante porque é ali que vai se desenvolvendo tudo o mais em relação à superdotação.


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