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Alfabetização com Música: como o AlfabetiCanção Transforma o Aprendizado

Conheça a história da professora Luydmila Bastos e como a alfabetização com música, no projeto AlfabetiCanção, transforma a aprendizagem das crianças.

Imagem de capa do artigo sobre Alfabetização e AEE

Luydmila Bastos é professora de alfabetização há 28 anos, atua na rede municipal do Rio de Janeiro e é criadora do AlfabetiCanção, projeto que utiliza a música como recurso para ensinar a ler e escrever. Sua trajetória é marcada pela busca constante por novas formas de ensinar e alcançar seus alunos.

Já fez quatro pós-graduações — incluindo Psicomotricidade na Rhema Neuroeducação — e hoje também é Criadora Rhema. Foi convidada da Jornada de Práticas Inclusivas no AEE e a Neuropsicopedagogia, evento promovido pela Rhema Neuroeducação em 10 de setembro.

Alfabetizar à distância, com crianças pequenas, do outro lado de uma tela — esse foi um dos maiores desafios enfrentados por professores durante a pandemia. Manter a atenção, criar vínculo e ensinar consciência fonológica sem estar fisicamente na sala de aula parecia, para muitos, quase impossível.

Foi diante dessa realidade que Luydmila Bastos, professora de alfabetização há 28 anos e aluna da Rhema Neuroeducação, decidiu se aprofundar ainda mais nos estudos sobre alfabetização baseada em evidências e neurociência, e transformar aquilo que já fazia por afinidade — cantar com as crianças — em um projeto estruturado: o AlfabetiCanção.

A iniciativa reúne atividades voltadas para a consciência fonológica a partir de canções infantis, trabalhando rimas, consciência silábica, consciência de palavras e o som das letras — muitas delas compostas pela própria Luydmila para atender necessidades específicas de suas turmas.

Convidada da Jornada de Práticas Inclusivas no AEE e a Neuropsicopedagogia, promovida pela Rhema Neuroeducação em 10 de setembro, Luydmila compartilhou sua trajetória, explicou como nasceu o AlfabetiCanção e contou a história de um aluno autista que encontrou na música um caminho de comunicação.

Assista ao vídeo abaixo e confira a entrevista completa.

Quem é Luydmila Bastos?

Luydmila Bastos é pedagoga e trabalha com alfabetização há 28 anos. Atualmente atua na rede municipal do Rio de Janeiro, mas já passou pela rede particular ao longo da carreira. Também teve uma experiência de dois a três anos na Educação Infantil, na fase de pré-alfabetização, com turmas de cinco anos — mas nunca deixou a área de alfabetização.

Rhema Neuroeducação: Você é professora de educação infantil? Como é a sua atuação?

Luydmila Bastos: Eu sou professora de alfabetização há vinte e oito anos. Atualmente trabalho no município do Rio de Janeiro, sou professora do município, mas já trabalhei também na rede particular. Nesses vinte e oito anos, trabalhei um tempo na rede particular e agora trabalho na rede municipal. E há vinte e oito anos trabalho com alfabetização. Eu até fiquei na educação infantil por dois ou três anos, mas fiquei ali naquela fase de pré-alfabetização, as turmas de cinco anos. Então eu nunca saí dessa área de alfabetização.

Como nasceu o AlfabetiCanção?

O AlfabetiCanção nasceu do desafio de alfabetizar crianças à distância durante a pandemia — um período que, segundo Luydmila, a levou a se aprofundar ainda mais nos estudos sobre alfabetização baseada em evidências científicas.

Rhema Neuroeducação: Como começou a questão dos seus vídeos e desse projeto?

Luydmila Bastos: Começou mais na época da pandemia. Antes eu acho que eu nem tinha Instagram. Mas aí, quando começou essa história de ter que fazer aula ao vivo, aula gravada para as crianças, e aquele desafio de ter que alfabetizar online, pelo celular, foi uma coisa que eu fiquei meio que desesperada, porque às vezes presencialmente já não estava funcionando — imagine você alfabetizar alguém à distância. Foi nessa época que eu comecei não só a gravar vídeos, mas também a procurar maneiras de conseguir fazer essa alfabetização ser mais efetiva. Aí eu descobri toda essa questão da alfabetização baseada em evidências da neurociência, e comecei a me apaixonar pelo assunto — entrei num loop infinito de fazer um curso atrás do outro.

Foi nesse contexto que nasceu o material que deu origem ao AlfabetiCanção: uma coletânea de atividades voltadas para a consciência fonológica, a partir de canções infantis.

Rhema Neuroeducação: Fala um pouco sobre o AlfabetiCanção.

Luydmila Bastos: É um trabalho que eu fiz como se fosse um livro — não publiquei, mas é uma coletânea de atividades para trabalhar pré-alfabetização, todas voltadas para a consciência fonológica a partir de canções infantis. Eu percebo muito nessa geração de hoje que as crianças estão muito conectadas com essas dancinhas de TikTok, e se perde muito a infância. Então eu tentei resgatar essa infância com essas canções, porque eu gostava muito de cantar com as crianças. A partir das canções, eu trabalhava a consciência fonológica de maneira lúdica. Todas as canções têm ali trabalho de rima, de consciência de sílabas, de consciência de palavras. É todo estruturado nesse sentido.

Segundo Luydmila, o resultado foi evidente: os alunos que passaram pelo AlfabetiCanção chegaram ao primeiro ano já com a consciência fonológica preparada, e hoje leem com fluência.

O caso do aluno que não falava, mas cantava

Entre as histórias que marcam a trajetória de Luydmila está a de um aluno da Educação Infantil, autista, nível 3 de suporte, praticamente não verbal — que encontrou na música um jeito de se comunicar.

Rhema Neuroeducação: Você teve alguma experiência com crianças atípicas através das canções?

Luydmila Bastos: Na época do AlfabetiCanção, eu tinha um aluno da Educação Infantil que é autista, nível três de suporte. Ele era praticamente não verbal, não falava quase nada, só uma palavra ou outra quando queria. Mas teve uma música específica, de minha autoria, que ele ficava cantando o tempo todo. Ele não falava com a gente, mas a música ele cantava — vinha, sentava do meu lado, botava a cabeça na minha perna e ficava cantando "gato, sai daí, gato, sai daí", repetindo aquilo a aula toda. De alguma forma, isso ajudou aquele aluno a desenvolver a oralidade dele. Dava para perceber que ele estava atento às atividades, prestando atenção, mesmo quando a gente acha que não está. A música tem esse poder de tocar as pessoas, de grudar na memória — igual chiclete. Foi pensando nisso que eu quis trabalhar o AlfabetiCanção: para resgatar a infância, trabalhar a consciência fonológica e aproveitar esse poder da música para grudar isso na memória deles.

Luydmila também conta que, mais recentemente, um aluno autista do primeiro ano teve o melhor desempenho da turma em uma prova de produção textual — resultado do mesmo trabalho de consciência fonológica aplicado a todos, com pequenos ajustes de tempo ou quantidade de atividade quando necessário.

Qual a importância da formação continuada para o professor?

Para Luydmila, estudar continuamente não é só uma exigência profissional — é também uma forma de cuidar da própria saúde mental diante dos desafios da sala de aula.

Rhema Neuroeducação: Como você enxerga a capacitação como ferramenta essencial para os professores hoje?

Luydmila Bastos: Eu acho que o estudo é essencial para o professor, sempre, independente da área. Principalmente hoje em dia, não só com inclusão, mas também com essa geração que estamos vivendo — a tecnologia, o uso excessivo de telas. Se a gente não estudar, se não se capacitar, a gente perde tempo de aula, fica perdido, não sabe lidar com aquele aluno. E a gente precisa estudar até mesmo para o nosso bem-estar, para a nossa saúde mental. A gente percebe que tem muito professor adoecido, com problemas de saúde mental — eu inclusive já passei por isso diversas vezes, com ansiedade, com depressão, porque a gente fica angustiado sem saber o que fazer com aquele aluno, sem conseguir o resultado esperado. Esses conhecimentos vão ajudar o professor a saber melhor como agir, como lidar com todo tipo de transtorno e de deficiência. A gente precisa se adaptar a essa nova geração, porque ela é totalmente diferente da geração da nossa época.

Como surgiu a parceria com a Rhema?

Luydmila já era aluna da Rhema Neuroeducação antes mesmo de se tornar Criadora Rhema — uma coincidência que ela só descobriu depois do convite.

Rhema Neuroeducação: Como você conheceu a Rhema?

Luydmila Bastos: Eu já fiz uma pós-graduação na Rhema, de Psicomotricidade — inclusive fiz duas vezes, de tanto que gostei. Mas o convite para participar dos Criadores Rhema não foi por conta disso: eles disseram que tinham visto minha página no Instagram, gostaram do conteúdo e me chamaram para participar. Foi uma coincidência eu já ter feito pós-graduação na Rhema também. Sobre a experiência online ao vivo, eu já tinha feito pós-graduação em outros lugares e não era no mesmo formato — às vezes você manda mensagem e ninguém te responde, fica sem saber. Na Rhema, tinha uma coordenadora da turma que tirava todas as dúvidas na mesma hora. Você não sente falta do presencial, porque está tendo o contato direto com o professor. Foi uma experiência muito boa.

Desde que se tornou Criadora Rhema, Luydmila conta que passou a ser desafiada a pensar em novas estratégias e conteúdos, além de perceber aumento real de visualizações e engajamento em seus vídeos.

O que essa trajetória ensina a outros professores?

Para encerrar, Luydmila deixou uma mensagem direta para quem está começando na carreira ou pensando em desistir dos estudos:

"Eu diria que não parem de estudar, porque o estudo é a única coisa que não podem tirar da gente. [...] Podem tirar tudo de você, menos o seu estudo. Então estudem, estudem bastante."

Uma frase que resume bem a trajetória de quem, depois de 28 anos em sala de aula, continua se reinventando — seja em uma pós-graduação, seja em uma música criada para ajudar um aluno a se comunicar.

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