Desinformação sobre Autismo cresce 15.000% na América Latina
28 de novembro de 20254 min de leitura
Falar sobre autismo é essencial, mas falar sobre a desinformação que o cerca se tornou urgente. Afinal, houve um crescimento na circulação de informações falsas sobre autismo nos últimos anos. E o Brasil lidera esse cenário, responsável por 48% de todas as publicações conspiratórias mapeadas no continente.
Esses dados são do estudo “Desinformação sobre Autismo na América Latina e no Caribe” (2025), realizado pelo Laboratório de Estudos sobre Desordem Informacional e Políticas Públicas (DesinfoPop/FGV) em parceria com a Associação Nacional para Inclusão das Pessoas Autistas (Autistas Brasil).
O levantamento examinou mais de 58 milhões de conteúdos e encontrou um crescimento de 15.000% na disseminação de informações falsas sobre autismo entre 2019 e 2024. Logo, esse dado coloca a desinformação como um fator real de impacto para famílias, escolas e profissionais que dependem de informação confiável para apoiar crianças e adolescentes.
Vamos falar mais sobre isso?
O que mais circula sobre autismo nas redes?
Um dos pontos centrais do estudo é o volume de narrativas enganosas. Por isso, para organizar esse cenário, os pesquisadores classificaram:
teorias como chemtrails e inversão do campo magnético.
2. Falsas curas sobre autismo:
dióxido de cloro (MMS/CDS);
ozonioterapia;
enemas com substâncias químicas;
prata coloidal;
terapias vibracionais (“frequência Tesla”);
protocolos de “desintoxicação”;
dietas extremas e compostos perigosos.
Depois de mapear 150 falsas causas e 150 falsas curas, os pesquisadores concluíram que a maior parte dessas propostas não apenas carece de fundamento científico, como pode colocar vidas em risco.
Como esse cenário afeta famílias e escolas
Quando informações enganosas se tornam amplamente difundidas, seus efeitos aparecem de forma concreta no dia a dia das crianças. Desse modo, professores, coordenadores e equipes de apoio relatam impactos diretos:
famílias chegam mais desconfiadas e inseguras;
decisões importantes são adiadas por medo ou por crenças equivocadas;
práticas arriscadas são tentadas antes de uma avaliação profissional;
diagnósticos são interpretados como rótulos, não como ferramentas de apoio;
crianças deixam de receber intervenções adequadas no tempo ideal.
Assim, a desinformação sobre autismo não fica restrita ao ambiente digital: ela atravessa a escola e interfere na construção da inclusão.
O que a ciência realmente afirma sobre autismo
Para reduzir ruídos e evitar práticas inadequadas, o estudo reforça alguns consensos científicos fundamentais como por exemplo:
o autismo é uma condição do neurodesenvolvimento;
não existe uma causa única;
não há relação entre autismo e vacinas;
ondas eletromagnéticas, alimentos industrializados, parasitas e produtos químicos comuns não causam autismo;
não existe cura;
nenhum detox, suplemento, substância ou intervenção alternativa reverte o autismo.
Sendo assim, esses pontos são resultados de décadas de pesquisas replicadas e revisadas internacionalmente.
Por que a pandemia impulsionou a desinformação
O período entre 2019 e 2024 coincidiu com um aumento global da incerteza. Desse modo, o estudo revela que:
conteúdos falsos sobre autismo cresceram 150 vezes nesse intervalo;
mais de 4 milhões de usuários foram alcançados diretamente;
publicações atingiram cerca de 100 milhões de visualizações;
o Brasil concentrou quase metade do volume total.
A pandemia funcionou como um acelerador: teorias antivacinas, negacionismo e pânico moral criaram o ambiente ideal para que desinformações ganhassem força e velocidade.
Conclusão
Ao falar sobre autismo, precisamos garantir que a informação circule com responsabilidade. Além disso, o estudo mostra que, quando a desinformação avança, ela interfere na percepção social do autismo, atrasa intervenções e abre espaço para práticas perigosas. Por isso, o acesso a conhecimento confiável torna-se um compromisso de todos — especialmente de quem atua diretamente com crianças.
Combater a desinformação é, portanto, uma forma de proteger a inclusão, fortalecer famílias e garantir que cada criança tenha acesso ao que realmente funciona. Para aprofundar seu conhecimento sobre autismo, compreender as evidências científicas mais atuais e aplicar estratégias eficientes dentro da escola, conheça a Pós-graduação em Transtorno do Espectro Autista – TEA da Rhema Neuroeducação.
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