Como a neuroplasticidade do cérebro ajuda crianças com transtorno de aprendizagem, a aprender a ler e escrever e como usar em sala de aula?
14 de janeiro de 20205 min de leitura
Professor, já pensou em como ocorre o processo de aprendizagem
dentro da cabecinha de seu aluno? Já pensou em como nosso cérebro consegue
transformar o som em uma palavra e de volta em um som? No conteúdo de hoje, vamos explorar este
assunto, como as crianças que possuem transtorno da linguagem podem se beneficiar
com métodos pedagógicos diversos com uso de Neuroplasticidade.
Aproveite a leitura, conheça como a Neuroplasticidade ajuda no
desenvolvimento de aprendizagem da criança.
O cérebro
humano é a estrutura mais complexa que conhecemos. Ele é composto por uma rede
de mais de 100 bilhões de neurônios interligados, se comunicando através das
vias neurais ou sinapses. Com um funcionamento totalmente coordenado e
integrado, esse órgão é responsável por ouvir, sentir, pensar, respirar,
movimentar o corpo, construir nossa percepção sobre nós e sobre o mundo
externo, enfim, o cérebro controla todos os mecanismos de nossas ações,
voluntárias e involuntárias. Cada área do cérebro é responsável por uma função,
e todas as áreas se comunicam entre si.
A cada vez que aprendemos algo novo,
o cérebro fica encarregado de armazenar essas informações, de modo que o
conhecimento adquirido possa ser utilizado quando necessário. Dessa forma todas
as experiências e vivencias e aprendizados que adquirimos vão criando novos
caminhos desenvolvidos pelos neurônios, as vias neurais ou sinapses. Quanto mais aprendemos, melhor e mais forte
fica essa comunicação entre os neurônios, e mais sinapses são criadas dentro do
cérebro.
Quando o
cérebro sofre uma lesão ou dano em alguma de suas estruturas, ele é capaz de se
alterar e se regenerar através da NEUROPLASTICIDADE,
que é a capacidade que o cérebro tem de se adaptar as mudanças através do
sistema nervoso, reorganizando os neurônios e as vias neurais, criando novas
sinapses, se moldando aos novos níveis estruturais por meio de aprendizagem,
necessidade, estímulos, vivencia e o ambiente em que estamos inseridos.
De forma
simples, imagine os neurônios percorrendo diversas estradas. Em caso de
bloqueio em uma dessas estradas, a neuroplasticidade é o que permite ao cérebro
se adaptar e criar uma “nova estrada” para que a informação chegue ao seu
destino final. Essa remodelagem ocorre permitindo que novas ligações entre os
neurônios sejam estabelecidas, alterando as sinapses existentes e criando uma
nova rede de conexões.
A
neuroplasticidade é um processo diário e natural do corpo humano, que age com
diferentes fatores sobre ela: idade, hábitos, comportamentos, aprendizagem. Na
fase adulta a neuroplasticidade é útil, principalmente, em casos de lesão
física, trauma, derrame ou acidente vascular cerebral, pois permite que o
indivíduo adulto se adapte as novas necessidades existentes, mas ela pode
ocorrer também por meio de novos aprendizados, como estudar um novo idioma ou
aprender a nadar.
Na infância, a
neuroplasticidade tem papel fundamental no desenvolvimento da criança, afinal
essa é a fase em que novos conhecimentos são adquiridos de forma vertiginosa,
não só conhecimento de fatores biológicos, como caminhar e falar, mas também conhecimentos
de comportamentos sociais, como convivência com outras pessoas e percepção de
emoções.
Já sabemos que
existe uma programação genética para a linguagem falada, porém não existe tal
programação para a leitura. Sendo assim, é necessário que o cérebro desenvolva
sistemas específicos para tal habilidade. Na primeira etapa do aprendizado da
leitura, ocorre a fase logografica ou pictórica, onde as competências visuais e
lingüísticas das crianças se reorganizam em preparação para a próxima fase. Na
etapa fonológica, uma nova via é criada, ocasionando a sistematização da
conversão de grafemas em fonemas, associando cada letra a sua pronuncia, ou
seja, para aprender a ler as áreas visuais da criança aprendem a decompor a
palavra em letras e em grafemas, e outra região do cérebro analisa a fala e
modifica o código a fim de representar os fonemas. Essa conversão de grafema-fonema é única na história do
homem, transformando o cérebro da criança radicalmente e mudando para sempre
sua forma de escutar os sons falados.
Dicas para melhorar a
neuroplasticidade
Estimule seu aluno a aprender!
Aprender coisas novas, não importa o que, de maneira
constante. Seja um idioma, um instrumento musical, um esporte, qualquer que
seja a nova habilidade que esta aprendendo, ele vai criar novas sinapses no cérebro!
Utilize formas diferentes para as atividades!
Tire seu aluno da rotina, não o deixe realizar atividades no
modo automático, apenas percorrendo a mesma “estrada” diversas vezes. Mude ao menos
alguns aspectos desse caminho, tente fazer algo de maneira diferente, estimule outras
formas de armazenar informação com música, dança ou teatro.
Do começo ao fim das atividades!
Para realmente aprender algo, é necessário foco e
concentração, caso contrário o aprendizado se torna irregular e mais demorado.
Portanto, quando iniciar uma atividade nova em sala de aula, tome cuidado com interrupções
e distrações.
Exercite a emoção e a razão!
Cada área do cérebro concentra uma atividade principal, o
lado esquerdo é responsável pelo raciocínio, e o lado direito atua sobre a
criatividade. Quanto mais exercitamos esses lados, mais rápido e potente ficam
as conexões sinápticas. Ou seja, quanto mais diversificada sua aula, mais completa
ela será.
Nutrição em primeiro lugar!
Alimentação balanceada com todas as vitaminas que o corpo
precisa é fundamental. Maus hábitos nada
mais são do que caminhos neurais automáticos existentes no cérebro. Por isso,
substitua lanchinhos pobres em vitaminas por frutas até o cérebro criar novos
hábitos saudáveis.
Dormir é importante!
Um bom período de descanso é tudo de que o cérebro precisa
para poder processar e gravar os novos caminhos criados durante o dia! Garantir
uma boa noite de sono combate o estresse, grava as memórias e retém
informações. Sempre mantenha os pais informados do quão cansada e estressada a
criança está, e o quão importante é ter rotina do sono com horários
estabelecidos pelos pais.
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