Pairing: como construir vínculo no TEA
Pairing é uma das estratégias mais importantes quando falamos em ensino no TEA, sobretudo porque está diretamente relacionado à construção de vínculo com a criança.
O que você vai encontrar neste artigo:
Antes de mais nada, é importante reconhecer uma situação muito comum na prática educacional e clínica: o profissional prepara atividades, organiza o ambiente, aplica estratégias, porém a criança não responde como esperado.
Nesse sentido, surge uma questão central: o problema está na atividade ou na ausência de vínculo? De fato, na maioria dos casos, não se trata de falta de técnica, mas sim da ausência de uma base relacional consistente. É justamente nesse ponto que o pairing se torna fundamental.
Confira o artigo e saiba mais!
O que é pairing e por que ele é essencial?

Em primeiro lugar, o pairing é uma prática baseada em evidência dentro da ABA que tem como objetivo associar o profissional aos reforçadores da criança.
Ou seja, o profissional passa a ser percebido como alguém que proporciona experiências positivas. Assim sendo, estabelece-se um princípio indispensável: Sem vínculo, não há aprendizagem.
Sobretudo no contexto do TEA, o vínculo não ocorre de maneira espontânea como em crianças típicas. Portanto, é necessário construí-lo de forma intencional e estruturada, conforme propõe o pairing ABA.
O erro mais comum na construção de vínculo
De modo geral, muitos profissionais acreditam que devem utilizar brinquedos chamativos, com luzes e sons, a fim de captar a atenção da criança.
No entanto, essa lógica é equivocada. Em outras palavras, não se trata do que o profissional considera interessante, mas sim do que a criança já demonstra interesse.
Portanto, o ponto de partida do pairing é respeitar o repertório da criança, e não impor novos estímulos.
Como fazer pairing na prática?
Agora, com efeito, é necessário compreender como aplicar o pairing no dia a dia.
Recepção com itens de interesse
Primeiramente, receba a criança com algo que já faça parte do seu interesse. Esse item deve ser previamente identificado, seja por meio de anamnese, seja por observação.
Assim, desde o início, estabelece-se uma conexão significativa.
Organização do ambiente
Em seguida, é fundamental organizar o ambiente de modo que não haja estímulos concorrentes.
Além disso, os itens de interesse devem estar sob controle do profissional. Dessa forma, o profissional se torna a via de acesso aos reforçadores, o que fortalece o processo de pareamento.
Retirada de demandas
Nesse momento, um ponto crucial deve ser destacado: não faça nenhuma demanda. Inclusive, evite perguntas por mais simples que sejam.
Isso ocorre porque, conforme a lógica do pairing ABA, qualquer exigência pode comprometer a construção do vínculo inicial.
Imitação do comportamento
Posteriormente, o profissional deve imitar as ações da criança. Se a criança enfileira objetos, o profissional enfileira. Se ela gira objetos, o profissional também gira.
Do mesmo modo, não há correção, nem ensino nesse momento.
Nomeação das ações
Ao mesmo tempo, é possível nomear as ações realizadas. Isso pode ser feito por meio de palavras simples ou onomatopeias.
Contudo, não se deve exigir resposta da criança.

Proposta de variação
Após a imitação, o profissional pode introduzir pequenas variações. Entretanto, não deve solicitar que a criança imite.
Se a criança apenas olhar, já há um avanço significativo. Se imitar espontaneamente, o vínculo está sendo fortalecido.
Observação de respostas de aproximação
Nesse sentido, é fundamental valorizar pequenas respostas. Olhar, pausar a atividade ou demonstrar interesse são indicadores importantes.
No contexto do TEA, tais respostas possuem grande relevância.
Repetição do ciclo
Caso a criança não responda, o processo deve ser retomado. Ou seja, o pairing funciona como um ciclo contínuo: imitar, nomear e variar.
Não há insistência, tampouco correção.
Manutenção dos reforçadores
Por fim, é essencial garantir que a criança não fique sem acesso a reforçadores. Se houver perda de interesse, você deve apresentar novos itens.
Nesse momento, não se deve exigir troca, organização ou qualquer outra demanda.
Por quanto tempo realizar o pairing?
A princípio, você deve fazer o pairing de forma intensiva no início do contato.
Na escola, pode-se considerar até uma semana sem demandas. Na clínica, os profissionais dedicam sessões inteiras exclusivamente ao pairing.
Posteriormente, você ajusta o tempo desse modo:
- Na escola: cerca de 20 minutos iniciais
- Na clínica: entre 5 e 10 minutos
Todavia, é importante destacar que o pairing não se encerra. Sempre que houver queda de motivação, retome o processo.
Assim sendo, o pairing não é uma fase, mas uma estratégia contínua.
Conclusão
Em síntese, o pairing é a base para qualquer processo de ensino no TEA. Sem ele, as intervenções tendem a gerar resistência e baixa adesão. Por outro lado, quando bem aplicado, promove aproximação, engajamento e abertura para a aprendizagem.
Portanto, mais do que aplicar técnicas, é necessário compreender que o vínculo é o ponto de partida para qualquer avanço significativo. Conheça a Pós-graduação em Transtorno do Espectro Autista – TEA da Rhema Neuroeducação.
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