Dislexia: Sinais, Tipos e Como Identificar na Alfabetização
Entenda o que é dislexia, os principais sinais na fase de alfabetização, os tipos existentes e como pais e professores podem ajudar.
16 de novembro de 20164 min de leitura
A dislexia é um transtorno específico da aprendizagem de origem neurobiológica que afeta a habilidade de ler, escrever e soletrar, geralmente identificado durante a alfabetização, entre os cinco e sete anos.
Atualmente, ela é compreendida como um subtipo do Transtorno Específico da Aprendizagem, categoria reconhecida pelo DSM-5-TR (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, da Associação Americana de Psiquiatria).
A criança pode trocar ou inverter letras e números, ler mais lentamente que os colegas e ter dificuldade para compreender atividades escritas. O diagnóstico é multidisciplinar e o tratamento é conduzido principalmente por um fonoaudiólogo.
É comum que a criança com dislexia troque letras, tenha dificuldade de compreensão das atividades ou não acompanhe o mesmo ritmo dos colegas, comportamentos que merecem atenção do professor logo nos primeiros anos escolares.
Segundo o MSD Manuals (revisado em 2025), a dislexia envolve dificuldade na separação de palavras dentro de frases e de fonemas dentro das próprias palavras — o que explica por que crianças disléxicas costumam demorar mais para reconhecer sons e formar a leitura fluente.
As causas da dislexia ainda não são totalmente conhecidas. Sabe-se que o fator genético é preponderante, estando ligado a genes que atuam no desenvolvimento do cérebro desde o período embrionário. Entre as áreas cerebrais mais associadas ao distúrbio estão os lobos temporais, além de estruturas dos lobos frontais e parietais.
Quais são os sinais de dislexia na alfabetização?
Os primeiros sinais de dislexia costumam aparecer justamente na fase de alfabetização, entre os cinco e sete anos, quando a criança começa a ser exposta sistematicamente à leitura e à escrita.
A partir dos sete anos, a criança com dislexia não desenvolve a leitura no mesmo ritmo que os colegas — ela costuma ler mais devagar e, ao escrever, trocar letras ou até escrever ao contrário. Também é comum a inversão de letras (como "p" e "q") e de números, como a troca entre 6 e 9.
Entre os comportamentos que merecem atenção do professor, estão:
troca ou inversão de letras ao ler ou escrever;
dificuldade de compreensão das atividades propostas;
ritmo de leitura mais lento que o dos colegas da mesma idade;
inversão de números, como 6 e 9.
Quais são os tipos de dislexia?
Existem diferentes tipos de dislexia, cada um com características específicas de manifestação. São eles:
Dislexia adquirida — mais recorrente em adultos, pode surgir após traumatismo craniano, derrame cerebral ou doenças neurodegenerativas;
Dislexia de desenvolvimento — típica do desenvolvimento da criança, sem uma causa aparente, ao contrário da dislexia adquirida;
Dislexia fonológica — dificuldade em ler palavras desconhecidas;
Dislexia superficial — palavras lidas exatamente como são escritas (como "bala") não geram dificuldade, mas palavras cuja escrita não coincide com a pronúncia (como "exercício", em que o "x" soa como "z") tornam a leitura mais difícil;
Dislexia profunda ou mista — envolve dificuldade tanto no reconhecimento sonoro da palavra quanto na compreensão do seu significado.
Como é feito o diagnóstico de dislexia?
O diagnóstico de dislexia é feito por uma equipe multidisciplinar, que pode envolver psiquiatra, fonoaudiólogo e, eventualmente, neuropsicólogo. O tratamento, por sua vez, é conduzido principalmente por um fonoaudiólogo, responsável por trabalhar diretamente as dificuldades de leitura e escrita da criança.
Por isso, ao identificar os sinais descritos anteriormente, o ideal é que o professor oriente a família a buscar uma avaliação especializada, sem tentar realizar o diagnóstico por conta própria.
Como pais e professores podem ajudar a criança com dislexia?
Além do apoio emocional, pais e professores podem ajudar a criança a superar as dificuldades da dislexia no próprio treino de leitura — lendo em voz alta, auxiliando na compreensão do que está sendo lido, ou propondo atividades lúdicas que envolvam o reconhecimento de letras, palavras, sons e significados.
Essas estratégias, aplicadas com constância, ajudam a criança a construir confiança no processo de leitura e escrita, mesmo diante das dificuldades impostas pelo distúrbio.
Perguntas frequentes sobre dislexia
O que é dislexia? É um transtorno específico da aprendizagem de origem neurobiológica que afeta a habilidade de ler, escrever e soletrar, dificultando a decodificação e a interpretação de letras e palavras. Costuma ser identificado na fase de alfabetização.
Quais são os primeiros sinais de dislexia? Troca ou inversão de letras e números, leitura mais lenta que a dos colegas e dificuldade de compreensão das atividades escritas são os sinais mais comuns observados entre cinco e sete anos.
Quem faz o diagnóstico de dislexia? O diagnóstico é feito por uma equipe multidisciplinar, geralmente formada por psiquiatra, fonoaudiólogo e, quando necessário, neuropsicólogo. O tratamento é conduzido principalmente pelo fonoaudiólogo.
Dislexia tem cura? Não se fala em cura, mas em desenvolvimento e manejo das dificuldades. Com diagnóstico precoce, apoio familiar e acompanhamento especializado, a criança pode desenvolver estratégias eficazes de leitura e escrita.
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