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TOD, TEA e TDAH: Conhece as Semelhanças e Diferenças?

O TOD, o TEA e o TDAH costumam ser vistos como transtornos completamente diferentes. Entretanto, quando observamos o comportamento, o funcionamento cognitivo e as dificuldades apresentadas pelas crianças, percebemos que muitos sinais podem se sobrepor.

Nesse sentido, impulsividade, desregulação emocional, dificuldades sociais e prejuízos no funcionamento executivo podem aparecer nos três quadros. Por isso, muitos profissionais acabam encontrando dificuldades no momento de compreender os comportamentos e identificar quais intervenções são mais adequadas para cada aluno.

Contudo, embora existam semelhanças importantes, os motivadores desses comportamentos costumam ser diferentes. Assim, compreender essas diferenças é essencial para uma atuação mais segura no contexto escolar.

TOD, TEA e TDAH podem apresentar sinais parecidos?

Primeiramente, é importante entender que TOD, TEA e TDAH pertencem ao grupo dos transtornos do neurodesenvolvimento. Dessa forma, muitos aspectos relacionados ao comportamento, à aprendizagem e à autorregulação podem aparecer de maneira semelhante.

Entretanto, o que muda é justamente a origem dessas manifestações.

No TEA, por exemplo, muitas dificuldades surgem em razão da sobrecarga sensorial, da flexibilidade cognitiva reduzida e das dificuldades sociais. Já no TDAH, os prejuízos costumam estar mais relacionados ao funcionamento executivo, especialmente atenção, memória de trabalho e controle inibitório.

Por outro lado, no TOD, a desregulação emocional tende a aparecer de maneira mais intensa no comportamento opositor, na irritabilidade e na dificuldade em lidar com frustrações.

Assim sendo, ainda que os sinais pareçam semelhantes em alguns momentos, a motivação cerebral e emocional por trás deles é diferente.

Autorregulação emocional em TOD, TEA e TDAH

Em primeiro lugar, um dos pontos que mais aproximam TOD, TEA e TDAH é a dificuldade de autorregulação emocional.

  • No TEA, essa desregulação pode acontecer em virtude da dificuldade em lidar com estímulos sensoriais, mudanças na rotina e excesso de demandas ambientais. Dessa maneira, a criança pode apresentar explosões emocionais, crises ou até mesmo comportamentos de isolamento.
  • Já no TOD, a dificuldade está muito relacionada ao processamento emocional. Conforme estudos atuais da neurociência, o cérebro da criança com TOD interpreta determinados estímulos como ameaça com maior intensidade. Como resultado, ela reage emocionalmente de forma mais explosiva e reativa.
  • No TDAH, por sua vez, a desregulação emocional também pode acontecer. Contudo, ela costuma surgir em forma de oscilações emocionais, impulsividade e dificuldade para lidar com emoções intensas.

Impulsividade também pode aparecer no TEA e no TOD?

Muitas pessoas associam impulsividade exclusivamente ao TDAH. No entanto, esse comportamento também pode surgir no TEA e no TOD.

No TDAH, a impulsividade está diretamente relacionada ao funcionamento executivo, principalmente ao controle inibitório. Assim, a criança pode agir sem pensar, interromper falas, apresentar dificuldade de espera e tomar decisões precipitadas.

Entretanto, no TEA, a impulsividade pode aparecer de maneira diferente, especialmente em situações de sobrecarga emocional ou sensorial.

No TOD, igualmente, comportamentos impulsivos e reativos podem surgir em momentos de frustração ou conflito emocional. Nesse caso, a impulsividade costuma caminhar junto com a dificuldade de autorregulação emocional.

Portanto, embora a impulsividade esteja presente nos três transtornos, ela se manifesta de formas distintas.

Funcionamento executivo: um dos principais pontos de ligação

Quando falamos sobre TOD, TEA e TDAH, o funcionamento executivo merece destaque. Afinal, os três transtornos apresentam prejuízos nessa área, ainda que de maneiras diferentes.

O funcionamento executivo é responsável por habilidades como:

  • planejamento;
  • organização;
  • controle emocional;
  • flexibilidade cognitiva;
  • controle da impulsividade;
  • memória de trabalho;
  • gestão do tempo;
  • atenção.

De acordo com explicações atuais da neurociência, existe um “tripé” central das funções executivas:

  • controle inibitório;
  • memória de trabalho;
  • flexibilidade cognitiva.

No TDAH, geralmente observamos prejuízos mais amplos no controle inibitório e na memória de trabalho. Dessa forma, a criança apresenta dificuldade em ignorar distrações, manter o foco e armazenar informações temporariamente.

No TOD, o maior impacto costuma ocorrer na autorregulação emocional e comportamental. Já no TEA, a dificuldade aparece principalmente na flexibilidade cognitiva.

Rigidez cognitiva e comportamental nos transtornos

Outro aspecto importante é a rigidez comportamental.

No TEA, a rigidez cognitiva está diretamente relacionada à dificuldade de flexibilizar pensamentos, lidar com mudanças e adaptar estratégias. Por isso, alterações na rotina podem gerar intensa desregulação emocional.

Entretanto, crianças com TOD também podem apresentar comportamentos rígidos. Contudo, nesse caso, o fator principal costuma ser emocional. Assim, a criança insiste em determinados comportamentos ou apresenta resistência por dificuldade em lidar emocionalmente com a situação.

No TDAH, embora a rigidez seja menos intensa, ela também pode aparecer, sobretudo em situações emocionalmente significativas ou em momentos de hiperfoco.

Portanto, mais uma vez, percebemos que os comportamentos podem parecer semelhantes, mas possuem origens diferentes.

Habilidades sociais e dificuldades de aprendizagem

Além disso, TOD, TEA e TDAH também podem impactar as habilidades sociais e o processo de aprendizagem.

No TEA, as dificuldades sociais tendem a ser mais evidentes, especialmente em comunicação, interpretação social e interação. Entretanto, no TDAH e no TOD, essas dificuldades também podem acontecer, ainda que em menor intensidade.

Da mesma forma, os três transtornos podem gerar dificuldades de aprendizagem, como por exemplo:

  • No TOD, a desregulação emocional pode prejudicar o foco e a permanência no conteúdo.
  • No TDAH, os prejuízos na atenção e na memória de trabalho dificultam a aquisição e manutenção das informações.
  • Já no TEA, a flexibilidade cognitiva e o funcionamento executivo também podem impactar diretamente o aprendizado.

Nesse sentido, compreender essas diferenças é fundamental para evitar interpretações equivocadas dentro da escola.

Por que professores precisam compreender TOD, TEA e TDAH?

Atualmente, os professores convivem cada vez mais com alunos neurodivergentes no contexto escolar. Por isso, conhecer TOD, TEA e TDAH deixou de ser apenas um diferencial e passou a ser uma necessidade pedagógica.

Afinal, comportamentos semelhantes podem possuir causas completamente diferentes. Consequentemente, intervenções genéricas nem sempre produzem bons resultados.

Além disso, muitas crianças apresentam comorbidades. Ou seja, podem existir dois ou até três transtornos associados ao mesmo tempo. Nessas situações, os prejuízos no funcionamento executivo, na autorregulação emocional e na aprendizagem tendem a se intensificar ainda mais.

Assim, quanto maior o conhecimento do professor sobre neurodesenvolvimento, maiores são as possibilidades de promover inclusão, aprendizagem e desenvolvimento.

Conhecimento transforma a prática pedagógica

Em conclusão, TOD, TEA e TDAH apresentam semelhanças importantes. Entretanto, compreender as diferenças entre os transtornos é essencial para interpretar os comportamentos de maneira correta e desenvolver intervenções mais assertivas.

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