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Lateralidade na Educação Infantil: 3 atividades para aplicar hoje

A lateralidade na Educação Infantil é uma base invisível que organiza corpo, atenção e pensamento. Desse modo, quando o cérebro entende direita e esquerda, integra os dois hemisférios e coordena movimentos, a criança ganha precisão, foco e autonomia — e aprende com mais facilidade.

Por isso, a seguir, você encontra um guia direto: o que é lateralidade, como identificar lateralidade cruzada e 3 atividades de lateralidade prontas para usar.

Lateralidade: o que é e por que importa na Educação Infantil?

Em termos simples, lateralidade é a organização do corpo no espaço e a preferência de uso de mão, pé, olho e ouvido. Ou seja, ela não surge “do nada”; forma-se ao longo das experiências: correr, pular, amarrar o tênis, segurar o lápis, atravessar a rua olhando para o lado certo.

Quando bem desenvolvida, favorece coordenação motora fina e global, atenção sustentada, memória de trabalho e compreensão de símbolos (letras, números, setas). E mais: movimentos que cruzam a linha média do corpo — por exemplo, tocar a mão direita no joelho esquerdo — estimulam a comunicação entre os hemisférios, criando rotas cerebrais mais eficientes.

Logo, em sala, isso aparece em coisas práticas: acompanhar a leitura na direção correta, alinhar palavras no caderno, orientar-se na fila, responder a instruções em sequência. Portanto, trabalhar lateralidade na Educação Infantil não é “gastar energia”: é treinar o cérebro enquanto a criança brinca.

Lateralidade cruzada: o que significa e como agir?

Na Educação Infantil, entender a diferença entre lateralidade cruzada e lateralidade mista é
essencial para apoiar o desenvolvimento motor, cognitivo e acadêmico das crianças. Por isso, para te ajudar a entender melhor esses conceitos, confira abaixo o que significa cada um deles.

Lateralidade Cruzada

Quando diferentes segmentos do corpo têm dominâncias opostas, mas cada segmento mantém um lado fixo. Como por exemplo: mão direita para escrever, pé esquerdo para chutar, olho esquerdo para mirar. O cérebro precisa cruzar informações entre os hemisférios, o que pode afetar leitura e escrita.

Lateralidade Homogênea

É quando a criança tem um lado dominante bem definido para todas as partes do corpo: mão,
pé, olho e ouvido. Exemplo: escreve, chuta e olha sempre com o lado direito. Essa consistência
garante maior eficiência nos movimentos e na aprendizagem.

Lateralidade Mista

Indica que a criança não tem dominância definida, alternando os lados para as mesmas tarefas. Sendo assim, podemos dar o seguinte exemplo: ora escreve com a mão direita, ora com a esquerda. É comum até os 5-6 anos, mas se persistir após os 7 anos pode prejudicar habilidades acadêmicas.

Desse modo, a lateralidade mista é comum até os 5-6 anos, mas precisa ser observada se persistir. Já a lateralidade cruzada não deve ser “corrigida”, mas pode ser estimulada com atividades que cruzem a linha média do corpo. Portanto, o acompanhamento por psicomotricistas ou psicopedagogos é recomendado se houver impacto na aprendizagem.

Desafios e adaptações: trabalhando lateralidade com crianças autistas

Em crianças autistas, variações de ritmo, previsibilidade e processamento sensorial pedem instruções claras e apoio visual. Por isso, em vez de apenas “vai para a direita”, concretize:

  • Marque o chão com fitas coloridas (ex.: azul = direita; vermelho = esquerda).
  • Use pulseiras/adesivos nos punhos e tornozelos (cor = direção/membro).
  • Mantenha objetos de referência (cones, almofadas) sempre no mesmo lugar.
  • Valorize cada tentativa, reforce acertos e aumente o desafio aos poucos.

Logo, o propósito permanece: criar experiências repetidas e prazerosas em que o corpo cruza a linha média e os hemisférios “conversam”. Assim, você fortalece coordenação, foco e competências que sustentam leitura e escrita.

3 atividades de lateralidade na Educação Infantil

1) Mapa do Corpo Inteligente

Objetivo: consciência corporal, direita/esquerda, atenção e integração sensório-motora.
Você precisa: espaço livre, fita colorida ou giz (opcional), cartões com partes do corpo.

Como fazer:

  1. Explique a regra: você mostrará uma parte do corpo e a criança toca rapidamente a parte correta.
  2. Comece simples como por exemplo: “toque na cabeça”, “toque no ombro direito”.
  3. Progrida com cruzamentos: “toque com a mão esquerda no pé direito”; “cotovelo direito na orelha esquerda”.
  4. Use cartões como apoio visual e música para dar ritmo.
    Efeito: trabalha direções, cruza a linha média, e ativa os dois hemisférios.

2) Espelho com Sombras

Objetivo: coordenação global, atenção compartilhada, percepção visual e lateralidade.
Você precisa: luz do sol, lanterna ou projetor; parede ou painel para a sombra.

Como fazer:

  1. Em duplas, uma criança é o “protagonista” e a outra é o “espelho”.
  2. Logo o protagonista move-se lentamente; o espelho imita com precisão (reflexo).
  3. Aumente a complexidade: cruzar braços e pernas, girar, tocar partes do corpo cruzadas, alternar níveis (alto/baixo).
  4. Inverta papéis para todos experimentarem.
    Dica didática: associe gestos a cores, como por exemplo, números ou letras para integrar conteúdos.

3) Plano Lúdico de Intervenção (circuito por estações)

Objetivo: integração bilateral, equilíbrio, coordenação, sequenciação e atenção.
Você precisa: 4–6 estações no pátio, quadra ou sala.

Como fazer (exemplos de estações):

  • Estação 1: pular com um pé (direito; depois esquerdo).
  • Estação 2: caminhar de lado segurando bolinha na mão contrária ao lado do deslocamento.
  • Estação 3: passar sob uma corda segurando um objeto na mão oposta.
  • Estação 4: lançar bolinhas alternando as mãos a um alvo.
  • Estação 5: pegar objetos de um lado do corpo e colocar em caixa à frente.
    Progressão: aumente a velocidade, troque a ordem, adicione obstáculos ou venda os olhos (com orientação verbal segura).
    Tempo total sugerido: 8–12 minutos, 2–3x por semana.

Checklist rápido para o professor (salve e use em aula)

Chegou o momento de colocar em prática: confira este checklist prático e garanta que suas atividades de lateralidade sejam ainda mais eficazes.

  • Dei apoio visual (setas/cores) para direita e esquerda.
  • Incluí cruzamentos da linha média em todas as sessões.
  • Fiz progressão (do simples ao complexo, poucos minutos por dia).
  • Registrei observações para ajustar o nível do desafio.
  • Mantive a experiência lúdica, previsível e motivadora.

Conclusão:

A lateralidade na Educação Infantil sustenta atenção, coordenação, leitura e escrita. Sendo assim, quando você integra atividades de lateralidade de forma breve, frequente e progressiva, o cérebro aprende melhor — brincando. Portanto, escolha uma proposta deste guia e aplique hoje; depois, avance para as demais. A consistência é o que transforma.

Logo, se você quer aprofundar seu conhecimento sobre lateralidade na Educação Infantil, aplicar práticas eficazes e transformar sua sala de aula, essa é a sua oportunidade, conheça a Pós-Graduação em Neuropsicomotricidade da Rhema Neuroeducação.  Além disso, estude com especialistas, aprenda estratégias práticas e transforme sua atuação em sala de aula.

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Cada criança é um mundo. Te preparamos para cada uma delas.

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