Funções Executivas: por que o aluno trava na hora de fazer?
Funções executivas influenciam diretamente a forma como o aluno aprende, organiza e executa tarefas na sala de aula. No entanto, muitos professores ainda se perguntam por que algumas crianças entendem o conteúdo, mas travam na hora de fazer sozinhas.
O que você vai encontrar neste artigo:
- O que são funções executivas?
- Compreender não é o mesmo que executar
- Como as funções executivas aparecem na sala de aula
- Quais habilidades fazem parte das funções executivas?
- Funções executivas e dificuldades de aprendizagem
- Como desenvolver funções executivas na prática
- O erro mais comum dos adultos
- Por que entender funções executivas muda a forma de ensinar
- Neuropsicopedagogia e funções executivas
- Conclusão
Nesse sentido, compreender como essas habilidades funcionam muda completamente a forma como o professor ensina e intervém na sala de aula.
Leia o artigo completo e saiba mais!
O que são funções executivas?

As funções executivas são habilidades cognitivas responsáveis por organizar, planejar, iniciar, sustentar e concluir ações. Em outras palavras, elas funcionam como um “gerenciador” do cérebro.
São elas que ajudam o aluno a:
- começar uma atividade
- manter a atenção
- lembrar instruções
- controlar impulsos
- organizar etapas
- concluir tarefas
Ou seja, não basta a criança compreender o conteúdo. Dessa forma, ela precisa conseguir organizar mentalmente o caminho da execução.
Compreender não é o mesmo que executar
Esse é um dos pontos mais importantes dentro da aprendizagem. Por isso, muitas vezes, o aluno:
- acompanha a explicação
- responde perguntas oralmente
- demonstra que entendeu o conteúdo
No entanto, quando precisa agir sozinho, ele não consegue iniciar. Isso acontece porque compreender depende de um processo. Ou seja, executar depende de outro.
Segundo pesquisadores como Alexander Luria, Adele Diamond e Russell Barkley, o cérebro precisa planejar e organizar ações para que a aprendizagem realmente aconteça.
Portanto, quando o aluno “sabe, mas não faz”, o problema pode não estar no conteúdo — mas na dificuldade de organizar a ação.
Como as funções executivas aparecem na sala de aula
Na prática, as dificuldades nas funções executivas aparecem o tempo todo dentro da escola.
Por exemplo:
O aluno demora para começar
O professor entrega a atividade, explica… e a criança permanece parada, sem saber por onde iniciar.
O aluno se perde no meio da tarefa
Mesmo começando corretamente, ele interrompe a atividade ou esquece o que estava fazendo.
O aluno pede explicação várias vezes
Isso não significa, necessariamente, falta de atenção. Muitas vezes, a dificuldade está na memória de trabalho.
O aluno desiste rápido
Qualquer dificuldade gera bloqueio, insegurança ou paralisação.
Nesse sentido, muitos professores acabam sentindo frustração. Afinal, eles explicam novamente, ajudam, adaptam… mas ainda assim não observam avanço consistente.

Quais habilidades fazem parte das funções executivas?
As funções executivas envolvem diferentes capacidades cognitivas. Entre as principais, destacam-se:
Planejamento
Ajuda o aluno a entender por onde começar e quais etapas seguir.
Memória de trabalho
Permite manter informações ativas enquanto realiza a tarefa.
Controle inibitório
Auxilia no controle de distrações, impulsos e respostas automáticas.
Flexibilidade cognitiva
Favorece adaptação diante de mudanças e resolução de problemas.
Iniciação de tarefa
Ajuda a criança a dar o primeiro passo sem depender totalmente do adulto.
Além disso, todas essas habilidades dependem diretamente do córtex pré-frontal, região cerebral que ainda está em desenvolvimento durante a infância.
Funções executivas e dificuldades de aprendizagem
Muitas crianças com dificuldades escolares apresentam alterações importantes nas funções executivas. Logo, isso pode acontecer em casos de:
- TDAH
- dificuldades de aprendizagem
- atrasos no neurodesenvolvimento
- TEA
- dificuldades pedagógicas acumuladas
Por isso, repetir explicações nem sempre resolve. Portanto, em muitos casos, o aluno não precisa ouvir novamente. Ou seja, ele precisa aprender como organizar a execução da tarefa.
Como desenvolver funções executivas na prática
A boa notícia é que as funções executivas podem ser desenvolvidas. No entanto, isso exige mediação intencional.
Quebre tarefas grandes em pequenas etapas
Ao invés de entregar toda a atividade, direcione o começo. Por exemplo:
- “Escreva primeiro o nome”
- “Agora faça apenas a questão 1”
Dessa forma, o cérebro organiza melhor a ação.
Utilize apoio visual
Instruções no quadro, sequências numéricas e modelos visuais ajudam o aluno a manter o foco durante a execução.
Antecipe mudanças
Frases como:
- “Daqui a pouco vamos terminar”
- “Faltam duas questões”
ajudam o cérebro a se organizar no tempo.
Use jogos com intencionalidade
Jogos trabalham:
- planejamento
- atenção
- memória
- controle inibitório
- resolução de problemas
Porém, o diferencial não está apenas no jogo. Está na mediação do professor durante a atividade.
O erro mais comum dos adultos
Muitos adultos acabam fazendo a atividade pela criança na tentativa de ajudar. No entanto, isso aumenta a dependência.
A mediação correta não faz pelo aluno. Ela ensina o aluno a fazer. Em outras palavras, o objetivo não é gerar execução imediata. É desenvolver autonomia progressiva.
Por que entender funções executivas muda a forma de ensinar
Quando o professor compreende o funcionamento das funções executivas, ele deixa de olhar apenas para o comportamento visível.
Ele passa a entender por exemplo:
- por que o aluno trava
- por que não consegue iniciar
- por que depende tanto do adulto
- por que esquece instruções simples
Logo consequentemente, as intervenções se tornam mais estratégicas e intencionais. Sendo assim, é exatamente nesse ponto que a neuropsicopedagogia transforma a prática docente.
Neuropsicopedagogia e funções executivas
A neuropsicopedagogia ajuda o professor a compreender a relação entre:
- cérebro
- comportamento
- aprendizagem
- desenvolvimento
Ou seja, ela oferece ferramentas para identificar dificuldades, planejar intervenções e promover aprendizagem com mais precisão. Além disso, esse olhar permite que o professor deixe de atuar apenas por tentativa e erro.
Conclusão
As funções executivas influenciam diretamente a aprendizagem, a autonomia e o desempenho escolar. Por isso, quando o aluno entende o conteúdo, mas não consegue executar sozinho, o professor precisa olhar além da atividade.
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