Rhema ao vivoCongresso de Inclusão: ABA na Intervenção da Criança com TEA15 Out

Autismo (TEA)Artigo

Flapping no Autismo: o que significa e como agir?

Entenda o que é flapping no autismo, o que a ciência diz sobre esse movimento e como o professor deve agir em sala de aula.

Um menino pequeno está ajoelhado no chão de uma sala de estar, sobre um tapete xadrez em tons de cinza. Ele veste uma camiseta laranja vibrante e calças azuis.

O flapping no autismo é um movimento rápido e repetitivo das mãos, muito comum em crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), e quase sempre mal compreendido.

Muita gente olha para ele e acha que não tem sentido nenhum, mas a ciência mostra que ele cumpre uma função real para a criança. Neste artigo, você vai entender o que significa o flapping, o que as pesquisas dizem sobre ele e como agir diante desse comportamento em sala de aula.

O que é flapping e por que ele acontece?

Flapping é um termo do inglês que representa um movimento rítmico e repetitivo das mãos, parecido com o bater de asas. Ele faz parte de um grupo maior de comportamentos chamados estereotipias motoras, que também incluem:

  • Balançar o corpo para frente e para trás;

  • Repetir sons ou sílabas;

  • Bater os pés no chão;

  • Movimentar os dedos na frente dos olhos.

Para a criança com TEA, esses movimentos têm função, intenção e significado. Eles ajudam a organizar o próprio corpo, as sensações e as experiências, e costumam aparecer quando a criança:

  • Recebe muitos estímulos ao mesmo tempo;

  • Se sente sobrecarregada;

  • Tenta se autorregular;

  • Expressa entusiasmo.

Esse último ponto tem respaldo científico recente. Um estudo publicado em 2025 na revista Neurodiversidade, feito por pesquisadores da Universidade de Minnesota (Estados Unidos), ouviu mais de 240 adultos autistas sobre o stimming (como esses comportamentos autoestimulatórios também são chamados) (MORRIS et al., 2025).

O flapping de mãos apareceu entre os padrões mais associados à empolgação: 38,7% dos participantes do primeiro estudo e 45,3% do segundo relataram fazer o movimento quando estavam animados.

Ou seja, um gesto que muitas vezes é visto como estranho pode ser, na verdade, uma forma de alegria, de organização interna ou de lidar com sensações intensas. Essa é a primeira mudança de olhar necessária.

Flapping é sempre ruim?

Não. O mesmo estudo traz a resposta de quem vive isso na prática: adultos autistas. Em dois estudos, 59% e 56% dos participantes descreveram o stimming, categoria que inclui o flapping, como às vezes positivo e às vezes negativo. Ou seja, depende muito mais do contexto do que do movimento em si.

O ponto mais importante é o que os participantes consideraram negativo:

  • Comportamentos autolesivos;

  • Comportamentos que causavam estigma e julgamento social.

Isso muda a pergunta que o professor precisa fazer. Em vez de "como faço essa criança parar de fazer flapping?", a pergunta certa é: "qual função esse movimento tem para ela nesse momento?"

O que é masking e qual o custo de reprimir o flapping?

Imagine a cena: um aluno com TEA começa a fazer flapping porque está empolgado com uma atividade. Um colega ri, ou o professor pede para ele "ficar quietinho". Com o tempo, o aluno aprende uma lição silenciosa: quando faz esse movimento, as pessoas reagem mal. E passa a segurar as mãos, mesmo quando precisa do movimento para se regular.

Isso tem nome na ciência: masking, ou camuflagem. É quando a pessoa autista suprime ou disfarça o próprio stimming para se adequar às expectativas sociais e evitar julgamento. Uma revisão sistemática publicada em 2023 na revista Revisão de Psicologia Clínica, feita por pesquisadores da Universidade da Austrália Ocidental, mostra que isso acontece principalmente por pressão social, estigma e necessidade de pertencimento (ZHUANG et al., 2023).

O aluno não para porque deixou de precisar do movimento, mas porque aprendeu que precisa se adequar para ser aceito.

E o custo aparece também na sala de aula. A mesma revisão relaciona a camuflagem a:

  • Ansiedade;

  • Depressão;

  • Sentimento de perda da própria identidade.

Um aluno que gasta toda a energia mental para se esconder tem menos energia para participar e aprender o conteúdo. Por isso, o que o professor faz em sala tem tanto peso: pode ensinar a criança a se esconder ou a se regular com segurança.

Como agir diante do flapping em sala de aula?

O que dá para fazer, de verdade, quando um aluno faz flapping na sua sala? Quatro passos simples:

  1. Permita o movimento. Se o flapping não machuca ninguém, não precisa interromper. É assim que a criança se regula naquele momento.

  2. Olhe para o contexto, não só para o movimento. Em vez de pensar "lá vem ele de novo", observe o que está acontecendo ao redor. Ele está empolgado com algo? A sala está barulhenta demais? Está ansioso com uma prova ou atividade? Isso ajuda a entender o gesto e a saber o que ajustar no ambiente.

  3. Se os colegas perguntarem, explique sem complicar. Um "é um jeito dele se acalmar" ou "é um jeito dele mostrar que está feliz" já resolve. Isso ensina a turma a não rir nem estranhar e cria um ambiente mais acolhedor para todos.

  4. Só intervenha se houver risco real. Se o movimento estiver machucando a criança ou alguém por perto, busque um profissional especializado para encontrar uma alternativa mais segura. Nunca apenas para "fazer parar".

Vale lembrar que observar o flapping não é diagnosticar: apenas profissionais habilitados avaliam o TEA. O papel do professor é observar, registrar e acolher.

Conclusão

Entender o flapping é parte de uma inclusão que respeita o funcionamento de cada criança. Quanto mais o professor entende, mais acolhe, e uma sala que aceita o movimento permite que o aluno use a energia para aprender, em vez de se esconder.

Quer se aprofundar em inclusão baseada em evidências? Clique aqui e conheça a Pós em Transtorno do Espectro Autista (TEA). Além disso, acompanhe o Instagram da Rhema Neuroeducação para receber dicas práticas, estratégias pedagógicas e conteúdos exclusivos sobre inclusão, aprendizagem e desenvolvimento infantil.

Cada criança é um mundo. Nós te preparamos para cada uma delas!

Compartilhe este artigo

WhatsAppX

Receba a Rhema direto no seu Google

Marque a Rhema como fonte preferida e o Google passa a priorizar o que a gente publica nas suas buscas. É como seguir um perfil, só que na busca.

Ver tudo sobre autismo (tea)

Continue no tema Autismo (TEA)

Mais conteúdos da Rhema sobre Autismo (TEA) para você se aprofundar.

Continue explorando

Explore os universos da Rhema