Disgrafia: o que é, tipos e como ajudar o aluno na escola
Entenda o que é disgrafia, conheça seus tipos, sinais e estratégias para ajudar alunos com dificuldades na escrita no ambiente escolar.
04 de junho de 20196 min de leitura
A disgrafia pode trazer desafios importantes para o processo de aprendizagem, principalmente quando as dificuldades relacionadas à escrita interferem na realização das atividades escolares. Por isso, reconhecer os sinais e compreender suas características é importante para que o professor saiba como oferecer o suporte adequado.
Mas como diferenciar a disgrafia de uma escrita que apresenta dificuldades pontuais? Quais são os tipos de disgrafia? Ela pode aparecer associada a outras condições, como o TDAH ou a dislexia?
Neste artigo, você vai entender o que é disgrafia, quais são seus principais tipos e quais estratégias podem ajudar o estudante no ambiente escolar.
O que é disgrafia?
A disgrafia é uma condição relacionada a dificuldades na escrita, especialmente na formação das letras e na qualidade da caligrafia. O estudante pode escrever de maneira lenta, pouco legível ou apresentar dificuldades que acabam interferindo em seu desempenho escolar.
O termo "disgrafia" tem origem grega. A palavra reúne "graph", relacionada à escrita e à formação das letras, e "dys", que indica prejuízo ou dificuldade. Assim, o termo está relacionado a dificuldades na realização da escrita, podendo envolver aspectos da caligrafia e, em alguns casos, da ortografia.
É importante, entretanto, diferenciar uma dificuldade pontual na escrita de uma condição que exige investigação. Uma letra considerada "feia" ou pouco legível, sozinha, não é suficiente para indicar disgrafia.
Por isso, uma avaliação adequada deve considerar diferentes habilidades relacionadas à escrita e ao desenvolvimento do estudante.
A disgrafia pode aparecer associada a outras condições?
Sim. O conteúdo apresentado aponta que a disgrafia pode ocorrer isoladamente ou estar associada a outras dificuldades e condições.
Entre as associações mencionadas estão:
Dislexia: quando também existem dificuldades relacionadas à leitura;
TDAH: dificuldades de atenção e organização podem interferir na realização das atividades escritas;
Síndrome dispráxica ou debilidade motora, conforme a classificação apresentada na fonte.
Por isso, compreender o contexto em que a dificuldade de escrita aparece é fundamental antes de definir uma estratégia de intervenção.
Quais são os tipos de disgrafia?
As manifestações da disgrafia podem variar. O material de referência apresenta diferentes classificações, relacionadas à postura, à forma de segurar o lápis, ao posicionamento das letras, ao tamanho da escrita e à organização espacial.
Disgrafias posturais
Estão relacionadas a dificuldades na postura adotada durante a escrita.
Alguns exemplos são:
Apoiar-se excessivamente sobre a mesa;
Agarrar-se à cadeira;
Aproximar muito a folha dos olhos;
Virar a folha excessivamente para a direita ou para a esquerda;
Sustentar a cabeça com a mão que não escreve;
Apoiar a cabeça ou o braço sobre a mesa;
Manter o braço em forma de gancho durante a escrita.
A observação da postura pode ajudar o professor a compreender se a posição adotada pelo estudante está interferindo na realização da atividade.
Disgrafias de preensão
Relacionam-se à maneira como o estudante segura o lápis.
Podem aparecer diferentes padrões de preensão, como:
Palmar;
Sobre a ponta do lápis;
Tetradigital;
Bidigital;
Tridigital;
Lápis entre o dedo indicador e o médio;
Falanges hiperarticuladas.
Observar como a criança segura o lápis é importante porque a preensão influencia o controle e a execução dos movimentos necessários para escrever.
Disgrafias posicionais
Estão relacionadas ao posicionamento das letras e à organização da escrita.
Entre os exemplos apresentados estão:
Verticalidade inclinada para trás;
Escrita em espelho;
Confusão entre letras simétricas, como b e d.
Disgrafias relacionadas ao tamanho
Nesse caso, a dificuldade está relacionada às dimensões das letras.
Podem ocorrer:
Macrografias: letras excessivamente grandes;
Micrografias: letras muito pequenas.
Disgrafias espaciais
Estão relacionadas à organização da escrita no espaço da folha.
Podem envolver dificuldades como:
Organização irregular entre as linhas;
Problemas na organização das margens;
Dificuldade para manter a escrita espacialmente organizada.
Como ajudar um aluno com disgrafia?
Depois de identificar dificuldades relacionadas à escrita, o próximo passo é pensar em como oferecer suporte ao estudante.
O material apresenta três possibilidades principais de intervenção: acomodar, modificar e remediar.
Acomodar
A acomodação busca reduzir o impacto que a escrita exerce sobre a aprendizagem ou sobre a capacidade de o estudante demonstrar seus conhecimentos, sem modificar substancialmente aquilo que precisa ser aprendido.
Dependendo das necessidades do aluno, isso pode envolver mudanças na forma de apresentar ou registrar uma atividade.
Modificar
A modificação envolve alterar determinadas expectativas ou atribuições para atender às necessidades individuais do estudante.
Nesse caso, o professor pode adaptar aspectos da atividade considerando as habilidades que o aluno já desenvolveu e aquelas que ainda estão em processo de aquisição.
Remediar
A remediação envolve oferecer instruções e oportunidades específicas para aperfeiçoar as habilidades relacionadas à escrita.
Nesse processo, é importante identificar quais habilidades estão deficientes e elaborar estratégias direcionadas a essas necessidades.
O que pode ser adaptado nas atividades escritas?
Ao planejar acomodações ou modificações, alguns aspectos da atividade podem ser considerados:
Taxa: tempo ou velocidade necessária para produzir a escrita;
Volume: quantidade de texto ou atividades que precisam ser produzidas;
Complexidade: nível de dificuldade da tarefa escrita;
Ferramentas: recursos utilizados para realizar o registro;
Formato: maneira como o estudante poderá apresentar o que aprendeu.
Essas adaptações devem considerar as necessidades individuais do aluno e o objetivo pedagógico da atividade.
Quais atividades podem ajudar no aperfeiçoamento da escrita?
O desenvolvimento das habilidades relacionadas à escrita pode envolver propostas específicas para trabalhar aspectos identificados durante a avaliação.
Entre as atividades apresentadas no material estão:
Desenhar linhas paralelas;
Desenhar ondas e linhas retas paralelas;
Recortar tiras de papel paralelas;
Marcar pontos em lados opostos da folha para que a criança os una;
Realizar atividades de escrita nas quais o estudante precise terminar o traçado em locais determinados.
Essas atividades devem fazer parte de um planejamento individualizado, considerando as habilidades que precisam ser desenvolvidas.
Como deve ser feita a avaliação da disgrafia?
A identificação das dificuldades de escrita não deve acontecer apenas pela observação de uma atividade isolada. Uma avaliação completa da caligrafia e das habilidades relacionadas à escrita permite compreender quais aspectos estão interferindo na aprendizagem e quais precisam ser trabalhados.
A partir dessas informações, é possível construir um plano de instrução específico para as habilidades que apresentam dificuldades. Por isso, o professor tem um papel importante na observação e no registro das dificuldades, mas a avaliação e o diagnóstico devem contar com profissionais capacitados.
A intervenção precoce é importante?
Quanto antes as dificuldades forem identificadas, maiores são as oportunidades de oferecer suporte adequado ao estudante. Entretanto, isso não significa que não seja possível intervir posteriormente.
Mesmo quando a dificuldade já está presente há algum tempo, ainda é possível trabalhar habilidades específicas, oferecer estratégias adequadas e realizar acomodações que favoreçam a participação e a aprendizagem.
O mais importante é compreender o que está dificultando a escrita e quais recursos podem ajudar aquele estudante, em vez de simplesmente exigir que ele escreva mais.
Disgrafia exige um olhar individualizado
A disgrafia pode se manifestar de diferentes maneiras e aparecer associada a outras dificuldades. Por isso, reconhecer seus sinais é apenas o primeiro passo. O professor pode contribuir observando a escrita, identificando padrões, registrando dificuldades e buscando estratégias que permitam ao estudante participar das atividades escolares.
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