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Disgrafia: o que é, tipos e como ajudar o aluno na escola

Entenda o que é disgrafia, conheça seus tipos, sinais e estratégias para ajudar alunos com dificuldades na escrita no ambiente escolar.

A disgrafia pode trazer desafios importantes para o processo de aprendizagem, principalmente quando as dificuldades relacionadas à escrita interferem na realização das atividades escolares. Por isso, reconhecer os sinais e compreender suas características é importante para que o professor saiba como oferecer o suporte adequado.

Mas como diferenciar a disgrafia de uma escrita que apresenta dificuldades pontuais? Quais são os tipos de disgrafia? Ela pode aparecer associada a outras condições, como o TDAH ou a dislexia?

Neste artigo, você vai entender o que é disgrafia, quais são seus principais tipos e quais estratégias podem ajudar o estudante no ambiente escolar.

O que é disgrafia?

A disgrafia é uma condição relacionada a dificuldades na escrita, especialmente na formação das letras e na qualidade da caligrafia. O estudante pode escrever de maneira lenta, pouco legível ou apresentar dificuldades que acabam interferindo em seu desempenho escolar.

O termo "disgrafia" tem origem grega. A palavra reúne "graph", relacionada à escrita e à formação das letras, e "dys", que indica prejuízo ou dificuldade. Assim, o termo está relacionado a dificuldades na realização da escrita, podendo envolver aspectos da caligrafia e, em alguns casos, da ortografia.

É importante, entretanto, diferenciar uma dificuldade pontual na escrita de uma condição que exige investigação. Uma letra considerada "feia" ou pouco legível, sozinha, não é suficiente para indicar disgrafia.

Por isso, uma avaliação adequada deve considerar diferentes habilidades relacionadas à escrita e ao desenvolvimento do estudante.

A disgrafia pode aparecer associada a outras condições?

Sim. O conteúdo apresentado aponta que a disgrafia pode ocorrer isoladamente ou estar associada a outras dificuldades e condições.

Entre as associações mencionadas estão:

  • Dislexia: quando também existem dificuldades relacionadas à leitura;

  • TDAH: dificuldades de atenção e organização podem interferir na realização das atividades escritas;

  • Dificuldades de aprendizagem da linguagem oral e escrita;

  • Transtornos de lateralidade;

  • Surdez;

  • Síndrome dispráxica ou debilidade motora, conforme a classificação apresentada na fonte.

Por isso, compreender o contexto em que a dificuldade de escrita aparece é fundamental antes de definir uma estratégia de intervenção.

Quais são os tipos de disgrafia?

As manifestações da disgrafia podem variar. O material de referência apresenta diferentes classificações, relacionadas à postura, à forma de segurar o lápis, ao posicionamento das letras, ao tamanho da escrita e à organização espacial.

Disgrafias posturais

Estão relacionadas a dificuldades na postura adotada durante a escrita.

Alguns exemplos são:

  • Apoiar-se excessivamente sobre a mesa;

  • Agarrar-se à cadeira;

  • Aproximar muito a folha dos olhos;

  • Virar a folha excessivamente para a direita ou para a esquerda;

  • Sustentar a cabeça com a mão que não escreve;

  • Apoiar a cabeça ou o braço sobre a mesa;

  • Manter o braço em forma de gancho durante a escrita.

A observação da postura pode ajudar o professor a compreender se a posição adotada pelo estudante está interferindo na realização da atividade.

Disgrafias de preensão

Relacionam-se à maneira como o estudante segura o lápis.

Podem aparecer diferentes padrões de preensão, como:

  • Palmar;

  • Sobre a ponta do lápis;

  • Tetradigital;

  • Bidigital;

  • Tridigital;

  • Lápis entre o dedo indicador e o médio;

  • Falanges hiperarticuladas.

Observar como a criança segura o lápis é importante porque a preensão influencia o controle e a execução dos movimentos necessários para escrever.

Disgrafias posicionais

Estão relacionadas ao posicionamento das letras e à organização da escrita.

Entre os exemplos apresentados estão:

  • Verticalidade inclinada para trás;

  • Escrita em espelho;

  • Confusão entre letras simétricas, como b e d.

Disgrafias relacionadas ao tamanho

Nesse caso, a dificuldade está relacionada às dimensões das letras.

Podem ocorrer:

  • Macrografias: letras excessivamente grandes;

  • Micrografias: letras muito pequenas.

Disgrafias espaciais

Estão relacionadas à organização da escrita no espaço da folha.

Podem envolver dificuldades como:

  • Organização irregular entre as linhas;

  • Problemas na organização das margens;

  • Dificuldade para manter a escrita espacialmente organizada.

Como ajudar um aluno com disgrafia?

Depois de identificar dificuldades relacionadas à escrita, o próximo passo é pensar em como oferecer suporte ao estudante.

O material apresenta três possibilidades principais de intervenção: acomodar, modificar e remediar.

Acomodar

A acomodação busca reduzir o impacto que a escrita exerce sobre a aprendizagem ou sobre a capacidade de o estudante demonstrar seus conhecimentos, sem modificar substancialmente aquilo que precisa ser aprendido.

Dependendo das necessidades do aluno, isso pode envolver mudanças na forma de apresentar ou registrar uma atividade.

Modificar

A modificação envolve alterar determinadas expectativas ou atribuições para atender às necessidades individuais do estudante.

Nesse caso, o professor pode adaptar aspectos da atividade considerando as habilidades que o aluno já desenvolveu e aquelas que ainda estão em processo de aquisição.

Remediar

A remediação envolve oferecer instruções e oportunidades específicas para aperfeiçoar as habilidades relacionadas à escrita.

Nesse processo, é importante identificar quais habilidades estão deficientes e elaborar estratégias direcionadas a essas necessidades.

O que pode ser adaptado nas atividades escritas?

Ao planejar acomodações ou modificações, alguns aspectos da atividade podem ser considerados:

  • Taxa: tempo ou velocidade necessária para produzir a escrita;

  • Volume: quantidade de texto ou atividades que precisam ser produzidas;

  • Complexidade: nível de dificuldade da tarefa escrita;

  • Ferramentas: recursos utilizados para realizar o registro;

  • Formato: maneira como o estudante poderá apresentar o que aprendeu.

Essas adaptações devem considerar as necessidades individuais do aluno e o objetivo pedagógico da atividade.

Quais atividades podem ajudar no aperfeiçoamento da escrita?

O desenvolvimento das habilidades relacionadas à escrita pode envolver propostas específicas para trabalhar aspectos identificados durante a avaliação.

Entre as atividades apresentadas no material estão:

  • Desenhar linhas paralelas;

  • Desenhar ondas e linhas retas paralelas;

  • Recortar tiras de papel paralelas;

  • Marcar pontos em lados opostos da folha para que a criança os una;

  • Realizar atividades de escrita nas quais o estudante precise terminar o traçado em locais determinados.

Essas atividades devem fazer parte de um planejamento individualizado, considerando as habilidades que precisam ser desenvolvidas.

Como deve ser feita a avaliação da disgrafia?

A identificação das dificuldades de escrita não deve acontecer apenas pela observação de uma atividade isolada. Uma avaliação completa da caligrafia e das habilidades relacionadas à escrita permite compreender quais aspectos estão interferindo na aprendizagem e quais precisam ser trabalhados.

A partir dessas informações, é possível construir um plano de instrução específico para as habilidades que apresentam dificuldades. Por isso, o professor tem um papel importante na observação e no registro das dificuldades, mas a avaliação e o diagnóstico devem contar com profissionais capacitados.

A intervenção precoce é importante?

Quanto antes as dificuldades forem identificadas, maiores são as oportunidades de oferecer suporte adequado ao estudante. Entretanto, isso não significa que não seja possível intervir posteriormente.

Mesmo quando a dificuldade já está presente há algum tempo, ainda é possível trabalhar habilidades específicas, oferecer estratégias adequadas e realizar acomodações que favoreçam a participação e a aprendizagem.

O mais importante é compreender o que está dificultando a escrita e quais recursos podem ajudar aquele estudante, em vez de simplesmente exigir que ele escreva mais.

Disgrafia exige um olhar individualizado

A disgrafia pode se manifestar de diferentes maneiras e aparecer associada a outras dificuldades. Por isso, reconhecer seus sinais é apenas o primeiro passo. O professor pode contribuir observando a escrita, identificando padrões, registrando dificuldades e buscando estratégias que permitam ao estudante participar das atividades escolares.

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