Criança que Não Consegue Ler: o que a psicopedagogia pode fazer?
Conheça a história da pedagoga Iêda Pinheiro e o que a psicopedagogia pode fazer pela criança que não consegue ler.
Por Nayara Afonso14 de outubro de 20265 min de leitura
Uma criança que não consegue ler no 4º ano, sem reconhecer nem uma palavra, preocupa famílias e professores.
Foi diante de situações assim que a pedagoga Iêda Pinheiro começou a se perguntar por que alguns alunos não avançavam, e essa pergunta guiou toda a sua trajetória de formação e atuação na psicopedagogia.
Convidada da Oficina de Estratégias Práticas na Educação Especial e Neurociência, promovida pela Rhema Neuroeducação em 8 de outubro, Iêda compartilhou sua trajetória, explicou por que buscou tantas formações e contou a história de um aluno do 4º ano que passou a ler e interpretar textos.
Assista ao vídeo abaixo e confira a entrevista completa.
Quem é Iêda Pinheiro?
Iêda é pedagoga e possui formações em Psicopedagogia Clínica e Institucional, TEA, ABA, TDAH e Dislexia, Neuropsicopedagogia Clínica, Neurociência, Neuropsicomotricidade, Educação Infantil, Alfabetização e Letramento, entre outras áreas. Hoje atende crianças em seu próprio espaço, de forma individual e em grupo.
Rhema Neuroeducação: Você sempre teve o sonho de ser professor?
Iêda Pinheiro: Desde pequenininha. Meu pai comentava muito, na minha infância, que eu dizia que queria ser professora. Meus irmãos foram para a escola antes de mim, e eu chorava para ir também. Sempre gostei de estar em sala de aula, estudando. Fiz o ensino médio regular e, depois de alguns anos, resolvi fazer o magistério, que era o meu sonho. Em seguida, fiz Pedagogia.
Como surgiu o interesse pela psicopedagogia?
A virada na carreira de Iêda começou com uma pergunta que ela não conseguia responder.
Rhema Neuroeducação: O que te levou a buscar a psicopedagogia?
Iêda Pinheiro: Eu me perguntava muito por que meus alunos não conseguiam avançar. Trabalhei com adultos e com crianças, e me questionava sempre. Fiz algumas pós-graduações e trabalhei em instituições, mas senti que foi um pouco superficial. Quando passei a oferecer reforço escolar em casa, deu muito certo, mas faltava algo mais estruturado.
Rhema Neuroeducação: E como você chegou até a Rhema?
Iêda Pinheiro: Numa pesquisa, encontrei no YouTube um evento gratuito e fiquei encantada com o Coach Educacional. Ali percebi que teria ferramentas para trabalhar com meus alunos. Depois fiz Psicopedagogia e me encantei, porque tudo era baseado em evidências científicas, com teoria e prática e professores muito comprometidos. Foi um diferencial na minha carreira, porque passei a ver meu trabalho de outra forma e a ajudar mais meus alunos.
Por que fazer tantas formações?
Para Iêda, cada nova formação nasceu da necessidade de uma criança.
Rhema Neuroeducação: Chegava uma criança e você sentia que precisava de um conhecimento diferente?
Iêda Pinheiro: Isso mesmo. Cada pós foi me dando um olhar diferente, um aprendizado diferente para cada necessidade das crianças. Eu vejo meus alunos como pessoas que precisam de mim, e a minha busca é pela necessidade deles. Tive um aluno bem desafiador e, quando fiz TEA e ABA, comecei a compreender o que era reforço positivo, o que eu poderia trabalhar com ele e como conduzir o comportamento.
Rhema Neuroeducação: E como as formações se complementam?
Iêda Pinheiro: A Psicopedagogia e a Neuropsicopedagogia reúnem todas as disciplinas necessárias. Depois, TEA e ABA são mais específicos, e uma vai ajudando a outra.
Como conquistar uma criança que chega sem vontade?
Nem toda criança chega animada ao atendimento, e Iêda dá atenção especial a isso.
Rhema Neuroeducação: Como é o primeiro contato com as crianças?
Iêda Pinheiro: Tem crianças que chegam como se estivessem sendo empurradas. Então eu começo criando vínculo, com uma conversa informal: como foi seu dia, como foi sua aula, como foi sua noite. A criança vai se aproximando e começa a gostar de estar no espaço. Esse primeiro momento, eu aprendi na Rhema.
Rhema Neuroeducação: O que você pensa sobre a demanda por esse tipo de atendimento hoje?
Iêda Pinheiro: É crescente e a necessidade é grande. Estamos aqui para ajudar cada um, dentro das possibilidades.
Quais resultados esse trabalho já trouxe?
Iêda guarda várias histórias, e uma delas foi a que mais a emocionou neste ano.
Rhema Neuroeducação: Tem alguma criança que te marcou?
Iêda Pinheiro: Tenho várias, já me emocionei muito. Mas um aluno deste ano, que está no 4º ano, não conseguia avançar. A mãe me procurou para uma avaliação. Ele tinha muita dificuldade para se concentrar e não conseguia ler nem uma palavra. É muito difícil ver uma criança no 4º ano que não consegue ler. Fizemos um trabalho com consciência fonológica e com recursos para ele aprender a se concentrar e a esperar a vez. Hoje ele consegue ler textos e interpretar o que leu, que é o mais importante. Eu fico olhando e penso: “Nossa, meu Deus!”. Ele continua comigo.
Rhema Neuroeducação: Você já recebeu retorno das famílias?
Iêda Pinheiro: Sim. No início do ano, fiz uma avaliação e o profissional da saúde que recebeu o meu relatório disse que nunca tinha visto um tão bem elaborado, e ele foi aceito. A mãe me disse que o filho precisava de mim e que o avanço dele era notório. Outros pais também me indicam.
O que significa ver uma criança avançar?
Rhema Neuroeducação: O que esses resultados representam para você como profissional?
Iêda Pinheiro: É muito gratificante, uma sensação de dever cumprido. Faz valer a pena todo o meu esforço, a minha dedicação e a entrega, minha e das crianças.
Rhema Neuroeducação: E você pensa em parar de estudar?
Iêda Pinheiro: Não. Eu quero continuar estudando.
Psicopedagogia escolar é transformação
Na Rhema Neuroeducação, oferecemos pós-graduações completas e práticas, que vão além da teoria e te preparam para ser um verdadeiro agente de transformação.