Como Explicar o Autismo para Crianças: o que um livro pode fazer
Conheça a história de Isabela Feres e como um livro infantil ajuda crianças a compreenderem o autismo e a respeitarem as diferenças na escola.
Por Nayara Afonso23 de outubro de 20264 min de leitura
Como explicar autismo para crianças é uma dúvida de muitas famílias e escolas, e a resposta pode começar por algo simples: uma história.
Foi assim com Isabela Feres, cirurgiã-dentista, formada também em Gastronomia, escritora e mãe de duas meninas autistas, que transformou uma cartilha pensada para os colegas das filhas em um livro infantil sobre diferenças.
Convidada da Jornada Prática da Educação Especial, promovida pela Rhema Neuroeducação em 22 de outubro, Isabela compartilhou sua trajetória, explicou como nasceu o livro e contou como a conscientização, desde a infância, muda a convivência na escola.
Assista ao vídeo abaixo e confira a entrevista completa.
Quem é Isabela Feres?
Isabela é cirurgiã-dentista, formada também em Gastronomia, escritora e mãe de duas meninas autistas. É autora do livro infantil Todo Mundo É Legal na Floresta Tropical, criado para ensinar às crianças que as diferenças fazem parte da vida e que todas merecem respeito e pertencimento.
Como a maternidade atípica mudou o olhar de Isabela sobre inclusão?
Rhema Neuroeducação: Como a maternidade transformou a sua visão sobre inclusão?
Isabela conta que a inclusão entrou na vida dela antes mesmo do diagnóstico de autismo, desde a adoção de uma das filhas, quando já percebia os preconceitos enfrentados pela família. Uma das meninas recebeu o diagnóstico de autismo aos 2 anos e 9 meses, e a outra também foi diagnosticada depois. Para ela, o segundo diagnóstico foi emocionalmente mais difícil, principalmente pela culpa que costuma ser atribuída às mães e pela falta de informação sobre o autismo.
Por que é difícil ouvir que ter uma filha autista traz “vantagens”?
Rhema Neuroeducação: O que aconteceu na fila do brinquedo e o que você gostaria que as pessoas compreendessem?
Em um evento em Londrina, uma das filhas teve dificuldade para esperar na fila de um brinquedo, e Isabela pediu que ela pudesse passar à frente. Ouviu então comentários irônicos sobre supostas vantagens de ter uma filha autista, e outros adultos concordaram. Isabela explicou a realidade que vivia com a filha durante uma crise. O vídeo do episódio, segundo ela, ultrapassou cinco milhões de visualizações e trouxe apoio, mas também críticas e julgamentos.
O ponto que ela destaca é que amar as filhas não significa deixar de reconhecer as dificuldades do autismo, e que a maternidade atípica não precisa ser romantizada para ser vivida com amor.
Como surgiu o livro infantil sobre inclusão?
Rhema Neuroeducação: De onde veio a ideia do livro?
Em 2025, quando as filhas mudaram de escola, Isabela quis criar uma cartilha para ajudar os colegas a compreenderem as diferenças delas. A ideia era entregá-la às crianças no Dia Mundial de Conscientização do Autismo, em 2 de abril. Durante um passeio com as filhas, percebeu que poderia transformar a cartilha em um livro infantil e alcançar mais crianças.
Mesmo sem experiência como escritora, desenvolveu o projeto com a ajuda de uma amiga que trabalha com literatura e edição. O livro usa animais e situações da natureza para mostrar, de maneira lúdica, que cada indivíduo tem suas próprias características. Hoje, o material é usado por terapeutas e escolas de diferentes localidades.
Quais mudanças a conscientização trouxe para a escola?
Rhema Neuroeducação: O que você percebeu na convivência escolar depois que as crianças conheceram o livro?
Isabela relata mudanças positivas. Um exemplo marcante foi quando colegas pediram ao professor que não colocasse a música tão alta, porque uma das filhas não gostava de barulho. Para ela, quando as próprias crianças passam a reconhecer e respeitar as diferenças, a inclusão começa a acontecer de forma natural.
Ela também procurou a prefeitura de Londrina para propor que o livro chegasse às escolas, sem cobrar pelo material.
Qual é a importância da rede de apoio para as famílias?
Rhema Neuroeducação: Como surgiu o grupo de apoio e o que acontece nele?
Isabela mantém um grupo de WhatsApp com mais de cem participantes, entre mães, pais, terapeutas e advogadas, que compartilham informações e se ajudam. Ela também já escreveu outros dois livros infantis sobre inclusão, que ainda busca meios de publicar, e deseja continuar usando a literatura e a conscientização para apoiar outras famílias.
O que essa trajetória ensina sobre inclusão?
Rhema Neuroeducação: Para você, onde a inclusão começa?
Para Isabela, a inclusão começa na infância, com informação, educação e respeito. Quando as crianças aprendem desde cedo que as diferenças fazem parte da vida, a escola se torna mais acolhedora para todas.