Como Ajudar uma Pessoa Autista: o que ela nos pediria?
Descubra como ajudar uma pessoa autista a partir do que ela nos pediria: previsibilidade, clareza, respeito ao ritmo e aceitação.
Por Nayara Afonso19 de junho de 20184 min de leitura
Como ajudar uma pessoa autista é uma dúvida comum entre famílias, educadores e profissionais. Uma das respostas mais conhecidas vem de um texto atribuído ao psicólogo espanhol Ángel Rivière, que imagina o que uma pessoa com Transtorno do Espectro Autista (TEA) pediria a quem convive com ela.
Mesmo quando a criança autista não verbaliza, as vontades e as necessidades dela existem e precisam ser compreendidas. Cada criança pode dar um significado singular e pessoal ao que percebe, por isso vale prestar atenção ao que ela comunica, com palavras ou sem elas.
Neste artigo, você vai conhecer os principais pedidos do texto e ver como aplicá-los em casa, na escola e na clínica.
O que uma pessoa autista nos pediria?
1. Ajude-me a entender o que vai acontecer
Para muitas pessoas autistas, previsibilidade e estrutura ajudam. O texto aponta a necessidade de mais ordem e previsibilidade no ambiente, e de negociar os rituais em vez de simplesmente eliminá-los. Na prática:
Antecipe o que vai acontecer ao longo do dia;
Mantenha uma rotina clara e avise quando houver mudança.
2. Respeite meu ritmo
A angústia do adulto não ajuda a criança. Quando a família e a equipe compreendem as necessidades da pessoa e o jeito dela de entender a realidade, a relação é possível, e o desenvolvimento merece ser acompanhado com confiança.
3. Fale menos e com clareza
Para quem escuta, as palavras podem parecer leves, mas, para algumas pessoas autistas, muita fala ou fala muito rápida pode ser uma carga pesada. Na prática:
Use frases curtas e diretas;
Dê tempo para a pessoa processar antes de repetir ou insistir.
4. Mostre quando eu fiz bem
Como qualquer pessoa, a pessoa autista pode precisar compartilhar o prazer de fazer algo bem. Quando erra muito, pode entender que irritou o outro e passar a recusar a tarefa. Na prática:
Reconheça de alguma forma quando ela acertar;
Ajude-a a fazer sem falhas, em vez de apontar só o erro.
5. Ajude-me a compreender o sentido do que pedem
Muitas solicitações podem não fazer sentido para a pessoa autista, e explicar ajuda. Quando surgem comportamentos como choro intenso, autoagressão ou agitação diante de algo difícil de entender ou de fazer, vale observar o que aconteceu antes, o contexto e o que veio depois, antes de concluir o que significam. O texto lembra que muitos comportamentos vistos como “alterados” podem ser formas de lidar com o mundo.
6. Veja a pessoa além do diagnóstico
A pessoa autista também é criança, adolescente ou adulta, com gostos, vínculos e desejos próprios, como brincar, se divertir e se sentir bem ao fazer as coisas bem. Compartilhamos mais do que nos separa, e conviver com uma pessoa autista pode trazer muitas satisfações, ainda que diferentes das que outras pessoas oferecem.
7. Peça o que eu posso fazer
O texto pede que não se exija o tempo todo além do que a pessoa consegue, nem sempre as mesmas coisas. Uma ajuda que favorece a autonomia e a compreensão, sem excesso, tende a funcionar melhor. Quem apoia não precisa imitar o jeito da pessoa autista para ajudá-la.
8. Não procure culpados
Nem a família, nem a pessoa, nem os profissionais têm culpa do que acontece. Reações e comportamentos às vezes difíceis de compreender não são culpa de ninguém, e a culpa só amplia o sofrimento.
9. Cuide de você também
Para apoiar, é preciso ter momentos de descanso e atividades próprias. A pessoa autista precisa de estabilidade e bem-estar emocional ao redor, e isso inclui a família. Aproxime-se, não se afaste, mas sem se sentir sob um peso insuportável.
10. Mantenha o acompanhamento profissional
Se houver prescrição de medicação, o acompanhamento e a revisão periódica devem ser feitos pelo profissional responsável.
11. Aceite-me como eu sou
A aceitação não pode depender de a pessoa deixar de ser autista. O autismo é uma condição do neurodesenvolvimento, e a vida de muitas pessoas autistas pode ser satisfatória quando o dia a dia é simples, organizado e tranquilo, e quando não se pede o tempo todo apenas o que é mais difícil.
Quem foi Ángel Rivière?
Rivière foi psicólogo e uma das principais referências no estudo do desenvolvimento do autismo na Espanha, nas últimas décadas do século XX. Seu trabalho buscava compreender o autismo “por dentro”, a partir da experiência da própria pessoa, e é essa perspectiva que está por trás do texto “O que nos pediria uma pessoa autista?”.
Conclusão
O texto de Rivière convida a trocar a pergunta “como fazer essa pessoa mudar?” por “o que ela precisa para viver melhor?”. Com estrutura, clareza, reconhecimento, paciência e aceitação, a convivência com a pessoa autista pode se tornar mais leve para todos.
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Cada criança é um mundo. Te preparamos para cada uma delas!