Rhema ao vivoJornada Prática da Educação Especial22 Out

Autismo (TEA)Artigo

Como Ajudar uma Pessoa Autista: o que ela nos pediria?

Descubra como ajudar uma pessoa autista a partir do que ela nos pediria: previsibilidade, clareza, respeito ao ritmo e aceitação.

Imagem de capa do artigo sobre Autismo (TEA)

Como ajudar uma pessoa autista é uma dúvida comum entre famílias, educadores e profissionais. Uma das respostas mais conhecidas vem de um texto atribuído ao psicólogo espanhol Ángel Rivière, que imagina o que uma pessoa com Transtorno do Espectro Autista (TEA) pediria a quem convive com ela.

Mesmo quando a criança autista não verbaliza, as vontades e as necessidades dela existem e precisam ser compreendidas. Cada criança pode dar um significado singular e pessoal ao que percebe, por isso vale prestar atenção ao que ela comunica, com palavras ou sem elas.

Neste artigo, você vai conhecer os principais pedidos do texto e ver como aplicá-los em casa, na escola e na clínica.

O que uma pessoa autista nos pediria?

1. Ajude-me a entender o que vai acontecer

Para muitas pessoas autistas, previsibilidade e estrutura ajudam. O texto aponta a necessidade de mais ordem e previsibilidade no ambiente, e de negociar os rituais em vez de simplesmente eliminá-los. Na prática:

  • Antecipe o que vai acontecer ao longo do dia;

  • Mantenha uma rotina clara e avise quando houver mudança.

2. Respeite meu ritmo

A angústia do adulto não ajuda a criança. Quando a família e a equipe compreendem as necessidades da pessoa e o jeito dela de entender a realidade, a relação é possível, e o desenvolvimento merece ser acompanhado com confiança.

3. Fale menos e com clareza

Para quem escuta, as palavras podem parecer leves, mas, para algumas pessoas autistas, muita fala ou fala muito rápida pode ser uma carga pesada. Na prática:

  • Use frases curtas e diretas;

  • Dê tempo para a pessoa processar antes de repetir ou insistir.

4. Mostre quando eu fiz bem

Como qualquer pessoa, a pessoa autista pode precisar compartilhar o prazer de fazer algo bem. Quando erra muito, pode entender que irritou o outro e passar a recusar a tarefa. Na prática:

  • Reconheça de alguma forma quando ela acertar;

  • Ajude-a a fazer sem falhas, em vez de apontar só o erro.

5. Ajude-me a compreender o sentido do que pedem

Muitas solicitações podem não fazer sentido para a pessoa autista, e explicar ajuda. Quando surgem comportamentos como choro intenso, autoagressão ou agitação diante de algo difícil de entender ou de fazer, vale observar o que aconteceu antes, o contexto e o que veio depois, antes de concluir o que significam. O texto lembra que muitos comportamentos vistos como “alterados” podem ser formas de lidar com o mundo.

6. Veja a pessoa além do diagnóstico

A pessoa autista também é criança, adolescente ou adulta, com gostos, vínculos e desejos próprios, como brincar, se divertir e se sentir bem ao fazer as coisas bem. Compartilhamos mais do que nos separa, e conviver com uma pessoa autista pode trazer muitas satisfações, ainda que diferentes das que outras pessoas oferecem.

7. Peça o que eu posso fazer

O texto pede que não se exija o tempo todo além do que a pessoa consegue, nem sempre as mesmas coisas. Uma ajuda que favorece a autonomia e a compreensão, sem excesso, tende a funcionar melhor. Quem apoia não precisa imitar o jeito da pessoa autista para ajudá-la.

8. Não procure culpados

Nem a família, nem a pessoa, nem os profissionais têm culpa do que acontece. Reações e comportamentos às vezes difíceis de compreender não são culpa de ninguém, e a culpa só amplia o sofrimento.

9. Cuide de você também

Para apoiar, é preciso ter momentos de descanso e atividades próprias. A pessoa autista precisa de estabilidade e bem-estar emocional ao redor, e isso inclui a família. Aproxime-se, não se afaste, mas sem se sentir sob um peso insuportável.

10. Mantenha o acompanhamento profissional

Se houver prescrição de medicação, o acompanhamento e a revisão periódica devem ser feitos pelo profissional responsável.

11. Aceite-me como eu sou

A aceitação não pode depender de a pessoa deixar de ser autista. O autismo é uma condição do neurodesenvolvimento, e a vida de muitas pessoas autistas pode ser satisfatória quando o dia a dia é simples, organizado e tranquilo, e quando não se pede o tempo todo apenas o que é mais difícil.

Quem foi Ángel Rivière?

Rivière foi psicólogo e uma das principais referências no estudo do desenvolvimento do autismo na Espanha, nas últimas décadas do século XX. Seu trabalho buscava compreender o autismo “por dentro”, a partir da experiência da própria pessoa, e é essa perspectiva que está por trás do texto “O que nos pediria uma pessoa autista?”.

Conclusão

O texto de Rivière convida a trocar a pergunta “como fazer essa pessoa mudar?” por “o que ela precisa para viver melhor?”. Com estrutura, clareza, reconhecimento, paciência e aceitação, a convivência com a pessoa autista pode se tornar mais leve para todos.

Quer aprender a identificar sinais, intervir e aplicar métodos e estratégias para apoiar o desenvolvimento de crianças com TEA? Clique aqui e saiba tudo sobre a Pós em Transtorno do Espectro Autista (TEA) da Rhema Neuroeducação. Conheça a Capacitação 100% on-line em TEA da Rhema, para educadores, famílias, terapeutas e profissionais da saúde.

Além disso, acompanhe o Instagram da Rhema Neuroeducação para receber dicas práticas, estratégias pedagógicas e conteúdos exclusivos sobre inclusão, aprendizagem e desenvolvimento infantil.

Cada criança é um mundo. Te preparamos para cada uma delas!

Compartilhe este artigo

WhatsAppX

Receba a Rhema direto no seu Google

Marque a Rhema como fonte preferida e o Google passa a priorizar o que a gente publica nas suas buscas. É como seguir um perfil, só que na busca.

Ver tudo sobre autismo (tea)

Continue no tema Autismo (TEA)

Mais conteúdos da Rhema sobre Autismo (TEA) para você se aprofundar.

Continue explorando

Explore os universos da Rhema