Aluno com TEA no Início do Ano: O Que Fazer?
O início do ano letivo pode ser um dos momentos mais delicados para o aluno com TEA. Enquanto a escola retoma conteúdos, metas e avaliações, muitas vezes esse aluno ainda está tentando algo muito mais básico: organizar o próprio corpo diante de tantas mudanças.
O que você vai encontrar neste artigo:
- Por que o início do ano é mais sensível para o aluno com TEA?
- O que a neuropsicomotricidade explica sobre o comportamento do aluno com TEA?
- Por que insistir no conteúdo logo nas primeiras semanas pode dar errado?
- O que fazer nas primeiras semanas com o aluno com TEA?
- Por que compreender o aluno com TEA exige formação específica?
- Conclusão: o início do ano define a trajetória do aluno com TEA
Logo, diante desse cenário, é comum surgirem agitação, resistência, choro, isolamento ou dificuldade para participar. No entanto, na maioria das vezes, o problema não está no conteúdo. Está na organização neurológica necessária para sustentar a aprendizagem.
Por isso, entender isso muda completamente a prática pedagógica. Confira!
Por que o início do ano é mais sensível para o aluno com TEA?

Antes de tudo, precisamos reconhecer que qualquer criança passa por um período de adaptação. Contudo, o aluno com TEA geralmente necessita de maior previsibilidade para se sentir seguro.
Portanto, quando ele sai de um ambiente conhecido e entra em outro completamente novo, o sistema nervoso precisa trabalhar intensamente para se reorganizar. Além disso, se o corpo não entra em estado de segurança, três aspectos fundamentais são impactados:
- A atenção não se sustenta
- A memória não consolida
- A aprendizagem não acontece
Um estudo brasileiro publicado na Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, conduzido por Juliana Martins e Síglia Camargo, analisou a adaptação de crianças com TEA na pré-escola. Desse modo, antes da organização estruturada do ambiente, essas crianças permaneciam entre 97% e 100% do tempo fora das atividades.
Ou seja, não participavam. Entretanto, quando o ambiente passou a oferecer estrutura, rotina clara e estratégias adequadas, a participação aumentou significativamente.
Ou seja, isso revela algo essencial: o comportamento melhora quando o ambiente ajuda. Portanto, o início do ano não é o momento de pressionar desempenho. É o momento de organizar a base.
O que a neuropsicomotricidade explica sobre o comportamento do aluno com TEA?
Muitas vezes, a escola interpreta os sinais iniciais como “falta de interesse”. No entanto, a neuropsicomotricidade mostra outra perspectiva. Ou seja, comportamento não começa no comportamento, ele começa no corpo.
Atenção, permanência sentado, iniciar atividades, copiar do quadro e participar em grupo dependem de uma base corporal organizada. A terapeuta ocupacional Paula Serrano, referência na abordagem de Integração Sensorial de Jean Ayres, explica que a aprendizagem só acontece de forma consistente quando o sistema sensorial está organizado.
Desse modo, quando a criança apresenta dificuldade para processar sons, luz, movimento e informações do próprio corpo, isso impacta diretamente:
- Atenção
- Postura
- Planejamento motor
- Participação escolar
Logo, imagine o começo do ano: excesso de estímulos, barulho, mudanças constantes. Sendo assim, se o aluno com TEA já apresenta dificuldade na organização sensorial, essa sobrecarga aumenta. Consequentemente, aparecem por exemplo:
- Agitação
- Resistência para iniciar atividades
- Dificuldade para permanecer sentado
- Distração constante
- Alterações no traçado da escrita
Ou seja, não é falta de vontade. É na verdade, a desorganização interferindo na base da aprendizagem.

Por que insistir no conteúdo logo nas primeiras semanas pode dar errado?
Dessa forma, aqui entra uma explicação fundamental da neurociência. O psiquiatra infantil Bruce Perry afirma que o cérebro se organiza de forma sequencial: primeiro os sistemas ligados à regulação e à segurança, depois as áreas responsáveis por atenção, linguagem e raciocínio.
Portanto, se o aluno com TEA ainda está tentando se regular diante de um ambiente novo, ele terá dificuldade para acessar funções cognitivas mais complexas.
Se o corpo está em alerta:
- A atenção não se sustenta
- A memória não consolida
- O conteúdo não fixa
Por isso, quando a escola cobra desempenho antes da organização da base, aumenta a frustração. E, como consequência, o comportamento pode se intensificar. Portanto, não se trata de reduzir expectativa. Trata-se de respeitar a sequência do desenvolvimento.
O que fazer nas primeiras semanas com o aluno com TEA?
Se a base precisa vir antes do conteúdo, então o foco inicial deve ser organização, previsibilidade e segurança. Veja estratégias práticas:
Organize a rotina de forma visual
Utilize sequência visual simples, cartões ou imagens. Dessa forma, quando o aluno sabe o que vai acontecer, a regulação melhora.
Alterne movimento com atividade de mesa
Inclua pequenos circuitos, atividades de empurrar, puxar ou carregar materiais. Sendo assim, movimento organizado ajuda a regular tônus e atenção.
Reduza estímulos excessivos
Observe ruídos, excesso de informações visuais e estímulos simultâneos.
Aumente a mediação no início
Modele o comportamento esperado. Ou seja, sente ao lado. Mostre como começar.
Observe antes de rotular
Nem toda dificuldade inicial é dificuldade acadêmica. Logo, muitas vezes, é apenas adaptação. Essas estratégias não facilitam o processo. Elas constroem a base necessária para que a aprendizagem aconteça.
Por que compreender o aluno com TEA exige formação específica?
Esse olhar não é intuitivo. A graduação ensina planejamento e conteúdo, mas raramente aprofunda a relação entre cérebro, corpo, movimento e aprendizagem.
Sem essa base, o professor tende a agir por tentativa e erro. Entretanto, quando compreende como a integração sensorial impacta a atenção e como a regulação antecede o conteúdo, sua prática muda completamente.
Ele:
- Reduz rótulos
- Organiza o ambiente com intenção
- Observa com critério
- Age com segurança
Especialmente no início do ano, esse conhecimento evita decisões precipitadas e registros inadequados sobre o aluno. Ou seja, inclusão real não acontece por improviso. Ocorre por conhecimento.
Conclusão: o início do ano define a trajetória do aluno com TEA
O começo do ano letivo não deve ser um período de pressão. Deve ser um período de construção de base. Logo, quando o aluno com TEA se sente seguro, organizado e compreendido, a participação aumenta naturalmente. E, consequentemente, a aprendizagem acontece.
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