COMO INTERVIR COM O ADOECIMENTO EMOCIONAL DO PROFESSOR- SÍNDROME DE BOURNOUT
24 de outubro de 20194 min de leitura
A profissão do Professor é considerada pela
Organização Internacional do Trabalho (OIT), como uma das mais estressantes,
com forte incidência de elementos que desencadeiam diversas síndromes
psicológicas.
Atualmente, ser professor, independente do
nível de ensino em que atue tipo de escola, pública ou privada, está se
configurando como uma profissão alvo de inúmeros estresses psicossociais
presentes no seu contexto de trabalho. Ensinar era entendida em tempos passados
como uma profissão vocacional de grande satisfação pessoal e profissional tem
dado lugar ao profissional de ensino excessivamente atrelado a questões
tecnoburocráticas.
E os motivos naturalmente são: redução da
amplitude de atuação do trabalho, as tarefas de alto nível são transformadas em
rotinas, há menos tempo para executar o trabalho, para atualização
profissional, lazer e convívio social, bem como escassas oportunidades de
trabalho criativo.
Assim, a organização do trabalho do professor
possui características que o expõem a fatores estressantes que, se persistentes,
podem levá-lo a desenvolver uma síndrome conhecida como Sindrome de Burnout.
Esta Síndrome é o resultado do estresse
crônico, típico do cotidiano do trabalho, principalmente quando neste existem
excessiva pressão, conflitos, poucas recompensas emocionais e pouco
reconhecimento, sendo considerado um fenômeno psicossocial constituído de três
dimensões: Exaustão Emocional, Despersonalização e Baixa Realização
Profissional. A Exaustão Emocional caracteriza-se por uma falta ou carência de
energia e um sentimento de esgotamento emocional, sendo sua maior causa a
sobrecarga de trabalho A Despersonalização ocorre quando o profissional passa a
tratar os clientes, os colegas e a organização de forma distante e impessoal.
Por fim, a Baixa Realização Profissional caracteriza-se por uma tendência do
trabalhador em se auto-avaliar de forma negativa, sentindo-se insatisfeito com
seu desenvolvimento profissional, experimentando um declínio no sentimento de
competência e na sua capacidade de interagir com as pessoas.
Os principais fatores de risco vinculados às
características de personalidade (ou do indivíduo) envolvem aqueles com
traços excessivamente competitivos, perfeccionistas, pessimistas, controladores, passivos, exigentes ou com grandes expectativas ou idealismo em relação à profissão.
É importante ressaltar que
os estágios dessa síndrome devem ser vistos como um indicador de sinais que
merecem atenção, já que alguns indivíduos passam por todas as etapas em
diferentes ordens, enquanto outros somente passam por algumas. Mais importante
ainda é ressaltar que tais estágios não sejam vistos como critérios de auto diagnóstico,
e sim como um sinal que é preciso recorrer às pessoas que trazem segurança e
buscar assistência médica e psicológica rapidamente. Além disso, se houver
abertura e espaço de confiança, deve-se conversar com os gestores da escola
sobre o que está acontecendo e procurar ajuda.
Muitas vezes, estamos tão imersos em nossas
rotinas escolares que não nos damos conta desse processo até que cheguemos ao
completo esgotamento e a recuperação pareça muito difícil. Um fator de proteção
eminente, além dos aspectos preventivos, é que os professores e gestores
estejam atentos uns aos outros fortalecendo a rede de apoio e o olhar atento na
profissão.
O tratamento para a síndrome de Burnout
depende de uma organização pessoal e orientação profissional. A rotina de
um profissional é constante e, caso esteja abalada, precisa ser reorganizada
para que aquele olhar inicial, que gera sofrimento ao professor, possa ser
ressignificado.
Uma pessoa, quando fala a respeito de todas
as suas angústias e insatisfações, é capaz de se escutar também e refletir
sobre tudo que a abala. O psicólogo especialista na área pode direcionar,
da melhor maneira possível, o que está sendo contado a ele. Assim, é necessária
a orientação psicológica para que esse sentimento possa ser desconstruído e
desenvolvido de outras formas que possam trazer prazer ao docente. Atividades
que ultrapassam o convívio do trabalho são extremamente saudáveis, ou seja, é
preciso desfocar um pouco daquilo que está sendo vivenciado com exageros e
afetando a saúde física e mental.
O ideal é que trabalho e lazer sejam
equilibrados de maneira que o profissional possa se sentir bem. Uma boa
organização das atividades, bem como conhecer e respeitar os próprios
limites, pode mudar significativamente esse quadro.
É preciso ter consciência de tudo que está
sendo realizado, planejado e priorizado, mas, muito além disso, é importante
saber se existe equilíbrio. A vida profissional não pode ser algo que gere
sofrimento, pelo contrário, precisa trazer satisfação, mesmo com os desafios
rotineiros a serem vivenciados. Quando ultrapassam esse limite, sua saúde pode
estar em risco. Fique atento!
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