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RITALINA: ALIADA OU ADVERSÁRIA NA SALA DE AULA

CORRÊA, Janete Neves[1]
                                                                                                                PEREIRA, Claudio Avanso[2]
RESUMO:
O presente artigo tem por finalidade explanar sobre um dos transtornos em idade escolar que vem ganhando espaço na mídia, devido à polêmica com relação ao seu tratamento: o Transtorno do Déficit de Atenção-Hiperatividade (TDAH), para o qual se faz uso do Metilfenidato, mais conhecido pelo nome comercial Ritalina. O remédio tem se mostrado eficaz para abrandar os sintomas da hiperatividade que impedem o aluno de concentrar-se, prejudicando assim sua aprendizagem. No entanto, pesquisas apontam que está havendo um aumento excessivo na demanda de tal fármaco, levando a um questionamento de que todos os diagnósticos realmente procedem, que os números de crianças com transtorno estão realmente tão altos? Pais que trabalham o dia todo podem pensar que seu filho está hiperativo, assim como professores cujos alunos estão carentes, e demandam atenção através de um comportamento agitado, podem vir a encaminhá-los por comportamento hiperativo.
Palavras-chave: TDAH, comportamento, ritalina.
ABSTRACT:
This article aims to provide an explanation for one of the disorders of school in aged youth that has become popular in the media, mainly due to the controversy regarding its treatment: namely, Attention Deficit Disorder-Hyperactivity Disorder (ADHD) the use of methylphenidate, more known by the trade name Ritalin, as a cure. The remedy has been proven effective to slow down the symptoms of hyperactivity which prevents student’s ability to concentrate, thus hampering their learning capability. Despite this, surveys show that there is an excessive increase in the demand for such drugs, leading to the question of whether or these diagnoses are indeed valid and the number of children with this disorder is legitimately as high as what is presented? Parents who work all day may think that their child is hyperactive while teachers may assume that their students are academically weaks and demand attention through their restless behavior and will, as a consequence, diagnose hyperactive behavior in the students.
Keywords: ADHD, behavior, Ritalin.
 
 
 
1     INTRODUÇÃO
            A atualidade, assim como traz um desenvolvimento nunca antes visto no campo da tecnologia, traz cada vez mais indivíduos problemáticos, portadores de transtornos e medos, vítimas de uma sociedade cada vez mais apressada, conectada e esquecida dos verdadeiros valores. Tudo isso, na prática, se reverte em um aumento significativo de alunos com dificuldades em salas de aula. Alguns exemplos de quadros com os quais os professores podem se deparar: Transtornos Globais do Desenvolvimento, Transtornos do Comportamento Disruptivo, caracterizando-se por: Transtornos de Oposição e Desafio e o Transtorno De Conduta, Transtornos depressivos, e o Transtorno do Déficit de Atenção-Hiperatividade.
            A possível presença de um ou mais destes transtornos em alunos com idade escolar: “Afeta a criança na escola, em casa e na comunidade em geral, muitas vezes, prejudicando seu relacionamento com professores, colegas e familiares.” (Koch; Rosa, 2015, p.23)
Entre os transtornos apresentados, o que mais tem sido diagnosticado em crianças no período escolar é o Transtorno do Déficit de Atenção-Hiperatividade (TDAH).
O comportamento do ser humano é desenvolvido ao longo dos anos, principalmente pelo processo de aprendizagem. A criança que possui TDAH tem sua aprendizagem comprometida, e consequentemente, seu comportamento: questiona, inquieta-se e agita-se. Comportamento muito próximo ao de uma criança prodígio, não fosse o fato de possuir um déficit de aprendizagem. O diagnóstico para TDAH deve ser baseado em um sério estudo da criança, seu histórico, seu contexto. A criança questionadora dá trabalho a pais atarefados e a professores acomodados. É preciso rever até onde se faz necessário o uso de medicação. A curto prazo, é mais fácil o tratamento farmacológico, mas a longo prazo, a terapia – associada ou não a medicamentos, se mostra eficaz.
O presente estudo visa pesquisar a importância da administração do tratamento farmacológico – Metilfenidato – mais conhecido como Ritalina, e, mais especificamente, o que poderia estar desencadeando este alto índice de consumo de tal droga.
2     O TDAH – CAUSAS E SINTOMAS
Segundo cartilha da Associação Brasileira do Déficit de Atenção, o TDAH é “um transtorno neurobiológico, com participação genética (isto é, existe chances maiores de ele ser herdado), que tem início na infância e que pode persistir na vida adulta, comprometendo o funcionamento da pessoa em vários setores de sua vida”. ABDA, (2013, 37). A hiperatividade, a impulsividade e a desatenção, caracterizam o TDAH.
Segundo Koch e Rosa (2015), as crianças com esse transtorno são consideradas, crianças com um temperamento difícil. Prestam atenção a vários estímulos, não conseguindo se concentrar em uma tarefa única, cometendo erros grosseiros. Possuem dificuldade para manter a atenção, mesmo em atividades lúdicas, e parecem não escutar quando chamadas. Têm tendência a não terminar seus deveres escolares, tarefas domésticas ou deveres profissionais, assim como têm dificuldade para organizar tarefas, evitando envolver-se em tarefas que exijam esforço mental constante. Costumam perder facilmente objetos de uso pessoal. Esquecem facilmente atividades diárias.
A hiperatividade aparece como uma inquietação, manifestada por agitação de mãos ou pés e não conseguir permanecer parado na cadeira. São crianças que quase sempre saem de seus lugares em momentos não apropriados, correm em demasia, têm dificuldade de permanecer em silêncio.
Algumas crianças apresentam apenas o (TDA) Transtorno do Déficit de Atenção e outras apresentam também a hiperatividade, a associação desses “sintomas” constitui o TDAH. Muitos diagnósticos são equivocados por essa razão, crianças, adolescente e adultos que apresentam hiperatividade são geralmente agitados, apresentam dificuldades em ficar parados por muito tempo, mas não são TDAH. Uma das características da impulsividade é a impaciência, a criança não consegue controlar seus impulsos, não pensa antes de falar, responde antes do final da pergunta. E a desatenção se manifesta de diversas maneiras, a pessoa não consegue manter o foco, presta atenção em outras coisas ao mesmo tempo.
Este transtorno, segundo Rohde e Benczik (1999), apresenta três características básicas: a desatenção, a agitação e a impulsividade. A criança com TDAH tem dificuldade em seguir instruções, em se organizar, fala excessivamente, interrompe, não consegue esperar sua vez, respondendo a perguntas antes mesmo de serem formuladas. A causa do TDAH seria por um mau funcionamento da neuroquímica cerebral, reguladora do comportamento:
Este transtorno é considerado como uma doença relacionada à essência de produção de determinados neurotransmissores que são substâncias produzidas em maior ou menor quantidade no sistema nervoso central e regula o funcionamento do mesmo. (ARAUJO, 2003, p.68)
Segundo Revas (2011) o TDAH é:
Um transtorno psiquiátrico, neurobiológico, mais comum da infância e da adolescência, de causas ainda desconhecidas, mas com forte participação genética na sua etiologia. Acompanha o sujeito por toda a sua vida. Ele não é transtorno de aprendizagem (TA), mas os sintomas são desatenção, impulsividade que afetam secundariamente a aprendizagem. Apresentando em alguns casos comorbidades, com disruptivos do comportamento (transtorno de conduta e transtorno opositor desafiante), depressão, ansiedade, sendo que tais fatores interferem no bom desempenho escolar. (p.34)
           
Com base na neurociência Revas (2011) explica como acontece a Hiperatividade no Sistema Nervoso Central:
O córtex cerebral é a única região do SNC, capaz de transformar estímulos recebidos em aprendizado. Cada estímulo que atinge o córtex é comparado com vivências anteriores, para que possa ser interpretado, decodificado, compreendido. É impossível o SNC reconhecer o que nunca viu. Para eventos novos, o reconhecimento estará impossibilitado, mas o aprendizado acorrerá, pois ficará retido na memória esse novo estímulo, associado a todas as informações possíveis para que possamos descobrir o que é, para que serve e, dessa maneira, aprender. (p.67)
            Só decodificamos e aprendemos quando o SNC está maduro para receber e interpretar a nova informação para isso precisamos estar atentos e interessados. O aprendizado, portanto, depende da integridade, da maturidade neurológica, da atenção e do interesse. Algumas dificuldades estão ligadas á presença de lesão cortical. Nestes casos, a falta de integridade cortical determina uma pobre interpretação dos estímulos e menor capacidade cognitiva
            Para Goldstein, (1994, p.79), “Algumas crianças, entretanto, podem apresentar sintomas de hiperatividade como resultado de ansiedade, frustração, depressão ou de uma criação imprópria”. Neste caso, as causas estariam voltadas principalmente para a vivência psicológica da criança, sendo, em caso de diagnóstico positivo, necessário uma terapia psicológica, envolvendo a família, na busca de superação destes sintomas, muito antes de partira para a medicação deste transtorno, o qual, além de poder despertar reações adversas, poderá ainda causar dependência.
Para Vinocur (2015), o diagnóstico para TDAH é inteiramente clínico, feito por médico especialista. Não é necessário exame de ressonância, eletroencefalograma ou qualquer outro que avalie características físicas. Também não é preciso fazer avaliação neuropsicológica, só em certos casos.
Para o controle do TDAH, a medicação receitada é o Metilfenidado, conhecido popularmente pelo nome comercial, a Ritalina. O Metilfenidato (Ritalina®) é o medicamento de primeira escolha no Brasil. O ideal é que a criança faça uso do mesmo antes do horário escolar, pois sua meia vida é de aproximadamente 4 horas. “O metilfenidato é um agente simpatomimético relacionado às anfetaminas, classificado como estimulante do Sistema Nervoso Central”. (Sabec, 2009, p.54)
Corroborando esta afirmação, Medeiros (2013) diz:
Os estimulantes presentes no medicamento aumentam a liberação de dopamina (importante neurotransmissor precursor natural da adrenalina) em determinados circuitos do sistema nervoso central, ajudando a corrigir o funcionamento deficitário e auxiliando no controle da hiperatividade. (p.8).
Estudos demonstram que mais de 70% das crianças e adolescentes com TDAH apresentam melhoras significativas dos sintomas de desatenção, de hiperatividade e ou impulsividade na escola e em casa com o uso correto de medicamentos.
            Itaborahy (2009) afirma que a Ritalina, a princípio, era comercializada na Suíça, Alemanha e EUA, sendo indicada para pessoas idosas, para diminuir a fadiga, sem maiores especificidades. Mas a partir de sua associação com o TDAH que suas vendas alavancaram e a Ritalina tornou-se o estimulante mais consumido no mundo.
O diagnóstico de TDAH acertado é muito importante para a formação da aprendizagem da criança, uma vez que, em caso de possuir o transtorno e não buscar tratamento, esta fica comprometida; da mesma forma, caso não possua transtorno e passe a ser medicado, as consequências podem ser graves. A Associação Brasileira de Déficit de Atenção (ABDA), alerta que os questionários não fornecem um diagnóstico, apenas apontam a presença ou não de alguns sintomas. Para afirmar que uma criança tem TDAH é preciso saber quando os sintomas surgiram, se ela tem outros problemas psicológicos, se as reações se manifestam em pelo menos dois contextos diferentes e se realmente têm causado dano a ela. Quando os sintomas só aparecem na escola, ou ainda, em uma disciplina específica, é hora de os educadores fazerem uma auto avaliação e analisarem quanto suas práticas influenciam o comportamento de cada estudante. 
Sabec (2009) descreve que os pais, quando leem ou ouvem notícias sobre hiperatividade, passam a comparar com a atividade de outras crianças e considerar a desobediência e a extroversão de seus filhos como hiperatividade. A escola, por sua vez, pode estar comparando com os que melhor prestam atenção na classe e considerar que a criança tem déficit de atenção.
3     TDAH – DIAGNOSTICANDO
Segundo psicóloga Cacilda Amorim (2011, p.09), diretora do Instituto Paulista de Déficit de Atenção (IPDA), “Não é fácil diagnosticar o TDAH, pois não há exames médicos disponíveis, além de envolver um julgamento clínico e subjetivo, baseado na experiência do profissional.”
Amorim (2011) relata ainda:
Características como distração, esquecimento, agitação e impulsividade são como febre: podem ter origem numa gripe ou numa doença mais séria. O mesmo sintoma pode ter origens diversas e, dentro desse ponto de vista, discriminar entre tantos aspectos envolve um trabalho complexo. Conforme o transtorno está sendo mais conhecido e mais divulgado, pessoas com esse sofrimento têm encontrado melhores possibilidades de tratamento e de aceitação. Ao mesmo tempo, aumentaram os riscos de diagnósticos exacerbados e autodiagnósticos, que têm sido muito comentados e criticados. (p.10).
Segundo pesquisas, estima-se que cerca de 3 a 6% das crianças na idade escolar (mais ou menos de 6 a 12 anos de idade) apresentem hiperatividade e/ou déficit de atenção, e aproximadamente 60% dos pacientes que apresentaram TDAH na infância permanecem com sintomas na idade adulta, porém em menor grau de intensidade. Na infância, o transtorno é mais comum em meninos e predominam os sintomas de hiperatividade.
Para chegar a um diagnóstico preciso, a desatenção e/ou a hiperatividade têm que ocorrer de tal forma a interferir no relacionamento social do indivíduo, na sua vida escolar ou no seu trabalho. Além disso, os sintomas têm que ocorrer necessariamente na escola (ou no trabalho, no caso de adultos) e também em casa. A criança que é agitada em casa, mas na escola se comporta bem, muito provavelmente não tem hiperatividade, e seu comportamento pode ser resultado de falta de limites. A criança que, ao contrário, comporta-se em casa e se rebela em sala de aula, também não apresenta quadro de hiperatividade, e o que ocorre é que está protestando contra algo ou alguém.
Hallowell (2002) aponta alguns passos que auxiliam no tratamento da TDAH:
Estruturação: que se refere aos limites externos e ao controle que as pessoas com TDHA precisam com tanta urgência. Ferramentas práticas e concretas como listas, lembretes, cadernos de anotações, coisas desse gênero podem reduzir bastante o caos interior de alguém com TDAH.
Medicação: existem vários medicamentos que podem ajudar a corrigir muitos dos sintomas do TDAH. O remédio funciona como um par de óculos, ajudando os indivíduos a concentrar sua atenção. Também pode ajudar a reduzir a sensação de turbilhão interior e a ansiedade tão comuns em pessoas com TDAH. O remédio atua corrigindo um desequilíbrio químico dos neurotransmissores, que, no caso do TDAH, ocorre em partes do cérebro responsáveis pela regulação da atenção, controle de impulsos e humor. Embora não seja a resposta para o problema, o medicamento pode proporcionar um alívio profundo e é bastante seguro quando usado de maneira apropriada. (p.36, grifo do autor).
            Hallowell (2002) afirma “que 15% dos portadores de TDAH não respondem à medicação, em alguns casos a medicação simplesmente não surte efeito.” Como já mencionado anteriormente, o tratamento do TDAH não se resume a remédios, será necessário contar com educação, mudança de comportamento, psicoterapia.
Inúmeras crianças com TDAH podem ser imaginativas e empáticas, muito ligadas aos humores e pensamentos das pessoas a sua volta, mesmo que percam a maioria das palavras que elas dizem. A chave para isso é fazer o diagnóstico bem certo, antes que essas crianças comecem a ter problemas na escola, recebendo todos os tipos de rótulos pejorativos.
Existem testes para avaliar a atenção e a impulsividade, mas é necessário enfatizar que não existe um teste especifico para o TDAH. A ferramenta diagnóstica mais confiável é a história de cada caso, conforme extraída da criança, de seus pais e, o que é muito importante, dos relatórios dos professores. Ao mesmo tempo em que podem ser de grande ajuda, esses testes não são decisivos. O TDAH quase nunca é problema exclusivo de uma só pessoa; afeta turmas escolares e famílias inteiras.
4     CONSIDERAÇÕES FINAIS
Apesar do TDAH estar sendo bastante discutido, bastante divulgado, ainda existem diversos questionamentos quanto ao diagnóstico do transtorno. Os critérios utilizados nem sempre são suficientes para se estabelecer a medicalização, com isso, ocorrem muitos diagnósticos errados. Nos dias de hoje, parece que qualquer problema que a criança apresente falta de limites ou mau desempenho escolar, apresenta também motivo suficiente para ser diagnosticado com TDAH.
O que se observa é que ainda ocorrem muitos diagnósticos precipitados, acarretando o fato de que diversas crianças são medicadas erroneamente, visto que alguns profissionais mal informados acabam ignorando que o transtorno se manifesta através de um conjunto de sintomas, e geram receitas de modo leviano.
O uso do medicamento é importante sim, mas os casos devem ser analisados individualmente. O que se questiona na verdade não é a eficácia do medicamento, mas sim a forma que vem sendo administrado, na maioria das vezes sem necessidade. A banalização desse medicamento é assustador, crianças desobedientes por falta de limites são medicadas por conveniência, por comodismo dos pais e até mesmo das escolas. Crianças apáticas, sem ânimo, mas obedientes. Esta situação gerou uma nova alcunha para a Ritalina: “droga da obediência” – tal é a relação de filhos/alunos problemáticos, com crianças/adolescentes medicados.
            Por outro lado, o papel do professor e da escola no processo de aprendizagem dos alunos com distúrbios, não é nada fácil – o docente assume uma responsabilidade muito grande de ensinar uma criança com distúrbios específicos de aprendizagem. Acrescente-se a isso o fato de o professor ainda se deparar com diversas realidades, diversos históricos familiares, experiências e problemas individuais, que se constituem em desafio para este professor, que é agravado pelo fato deste professor necessitar realizar um trabalho individual focado no aluno com dificuldade de aprendizagem.
            Existe ainda outra questão bastante comum, que é quando o docente desconhece as dificuldades de aprendizagem do aluno: este é pressionado a aprender,mas não consegue acompanhar os demais colegas de sala. Esse aluno corre o risco de ser classificado como atrasado, aluno difícil, e de ser excluído de alguma forma do processo de aprendizagem.
            Essa má formação do professor também é um dos fatores que contribui para a exclusão do aluno com dificuldades na aprendizagem. A maioria das instituições de ensino público ou particular não possui um profissional capaz considerar os aspectos físicos, emocionais, psicológicos e sociais do aluno, como o psicopedagogo ou o neuropedagogo, visando o atendimento deste individualmente.
Outro fator a ser considerado, de maneira geral, seria a quantidade de alunos em sala, atualmente um número alto, o que dificulta a atenção ao aluno que possui dificuldade de aprendizagem.
Para Bioso (1995):
As pessoas envolvidas com o processo de ensino/aprendizagem devem conhecer as necessidades do aluno, o conhecimento, por parte do professor, do tipo de problemas específicos subjacentes ao distúrbio […] é condição necessária para que se proporcione a resposta adequada às necessidades da criança Conhecendo as necessidades dos alunos, o docente pode construir uma forma de aprendizagem que inclua e promova a interação com os demais alunos e mesmo com o meio. (p.157).
Machado (2012) afirma também que:
        
        
A escola tem um papel primordial na inclusão das crianças com limitações no processo de aquisição dos conhecimentos: é importante que a escola se comprometa com a educação inclusiva, não apenas com práticas destinadas aos alunos com dificuldades ou distúrbios. A educação inclusiva deve ser compreendida como uma política para integração de todos os alunos (p.97).
            Quanto à família, Vinocur (2015) diz que além de elogiar a criança, os pais devem tomar outras medidas eficazes: além de demonstrar afeição, paciência e amor, não temer estabelecer limites e regras. Os pais que passam mais tempo em companhia do filho favorecem a convivência com este. A comunicação com uma criança com TDAH deve ser realizada de forma clara e objetiva, calmamente, sem alteração de voz; outro conselho é estar sempre se atualizando e se informando sobre o TDAH, para garantir um bom relacionamento com seu filho. 
Para a doutora, o tratamento de crianças e adolescentes com TDAH é multidisciplinar, ou seja, se baseia na intervenção com profissionais de várias áreas, incluindo: médica, saúde mental e pedagógica, sendo necessário avaliações com psicólogo, fonoaudiólogo, psicomotricista, otorrinolaringologista, oftalmologista, e outros profissionais, conforme os resultados apresentados.
            Diante desse cenário, o neuropedagogo, entendendo a forma como o cérebro funciona e como o cérebro recebe e processa as informações recebidas, busca a melhor maneira de intervir, procura sempre diferentes estratégias pedagógicas de ensino que favoreçam as particularidades de cada aluno e de cada situação em sala de aula.
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[1] Graduada em Biblioteconomia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Graduada em Pedagogia pela Faculdade internacional de Curitiba (FACINTER). Estudante de Pós-Graduação em Neuropedagogia na Educação pelo Instituto Rhema. Atua como Bibliotecária. Contato: [email protected]
[2] Graduado em Arte Educação com licenciatura em música pela FAP (Faculdade de Artes do Paraná), Pós-graduado em Arte Terapia pelo Instituto Superior de Ensino Pesquisa e Extensão – ISEPE. Mestrado em Educação pela Universidade Federal do Paraná, UFPR. Contato: [email protected].

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